O Sapoti

Lembro ainda de minha visita ao viveiro da prefeitura de João Pessoa, na Paraíba. A temperatura era alta, final de outubro, e de repente me deparo com um enorme sapotizeiro que parecia me convidar a usufruir do frescor de sua sombra. Vocês vão dizer que estou exagerando, que é pura narrativa, mas não é verdade! Quando, um pouco agachado, entrei, para ficar sob a copa dessa imensa sapota, senti imediatamente que a temperatura tinha caído de, talvez, 37°, 38° para confortáveis e plácidos 24°, quiçá 25°. Tá bom, no máximo, 27° não mais do que isso. Parecia que um aparelho invisível de ar-condicionado de 30.000 btus, tinha sido instalado em algum galho da árvore.

Essa frutífera é originaria da América Central e das Antilhas, principalmente Jamaica e Cuba, mais muito cultivada nos pomares domésticos do Norte e Nordeste. A planta, que pode alcançar 15 m de altura, se notabilizou por fornecer o material básico para a fabricação do chiclete. O autêntico “chewing-gum”, consumido astronomicamente pelos norte americanos, tinha por base o sapotizeiro, hoje é feito com um composto químico que imita o original. Fazendo um pequeno corte no lenho surge um látex leitoso e pegajoso que era exportado pelo México e outros países, até alguns anos atrás.

Mas, não importa se não serve mais como matéria prima para fabricar chicletes, os saborosos frutos, que crescem nas axilas dos galhos, possuem uma forma característica e são do tamanho de um kiwi, a casca é parda, parecida com a batata, dentro tem até doze sementes duras e pretas que se soltam facilmente da polpa. Esta é mole, de cor bege, doce quando madura, com um sabor que lembra açúcar mascavo. É gostosa ao natural com algumas gotas de limão e também em pudins, cremes e outras sobremesas.
A Manilkara zapota, como é classificada botanicamente, não é muito exigente e parece ser tolerante a diversos tipos de solos, contudo prefere climas quentes, adaptando se em algumas regiões do Sudeste do país.

Autor: Raul Cânovas

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