Uma viagem para descobrir o que está dentro de nós mesmos

O cotidiano, aquilo que é repetido sempre do mesmo modo, não é estilo de vida para um criativo


Campos de arroz em Bali

Às vezes é necessário esquecer as trilhas diárias, apagar o roteiro que nos empurra para os mesmos cantos, as mesmas estações, como em uma Via Crucis. Sempre tive medo do previsível, por isso passei uma vida andando por caminhos longos e pelos campos e as matas onde eles nem existiam. Rejeitei atalhos por serem prováveis e econômicos, precisava ser um perdulário que não economizava paisagens a serem estreadas. Gastei… gastei? Não, acumulei os resultados da minha travessia, enchi meu cofre com as lembranças dos capins patagônicos, sempre tão agitados pelo vento que nunca dorme. Coloquei dentro dele a memória dos campos de arroz balineses, salpicados aqui e acolá pelos lótus. Pus os perfumes das lavandas que cheirei na Provence. Sim, enriqueci, enchi minhas burras de sentimentos desiguais, eles são melhores que as rotinas inalteradas onde tudo já foi semeado por alguém. Eu precisava caminhar por caminhos a estrear e semear coisas diferentes que proporcionariam, quiçá, outros aromas e sabores, estremecendo os jovens ávidos e dando-lhes novos pensamentos.


Campo de lavandas em Grasse, França

VIAJAR

“A Verdadeira viagem não está em sair à procura de novas paisagens, mas em possuir novos olhos”

Marcel Proust

Proust, cujo livro mais conhecido foi “Em busca do tempo perdido”, publicado há quase cem anos, marcou minha adolescência com frases como a citada acima. Aprendi que podemos andar com uma mochila nas costas ou com uma mala de grife por aí, procurando pelo belo, mas se ele não se instalou na nossa alma, jamais o descobriremos. É por isso que me propus formar um grupo com aqueles que não têm medo de conhecer coisas novas, pessoas que como eu têm por hábito não ter hábitos, que adoram plantas, que contemplam paisagens, que se comprazem em conhecer mulheres e homens que sentem o mesmo e que fizeram disto um estilo de vida e uma forma bacana de transformá-la em algo rentável.


Primavera em Buenos Aires

Se quiser saber mais sobre a viagem “Buenos Aires para Paisagistas” que acontecerá em outubro, acesse a Agenda de Eventos aqui no Jardim. Mas preste atenção, o importante não vai ser registrar paisagens com uma câmara digital e sim, estrear um novo olhar.

Autor: Raul Cânovas

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