Paris

Há vinte dias voltei da França com as malas cheias de alegria

Raul Cânovas com os paisagistas Gilles Clément(esquerda), e Gilberto Elkis(centro)

Turistas sempre carregam souvenires, presentes e outras bugigangas quando voltam. Eu, diferente da maioria, prefiro guardar as lembranças na minha memória, tiro poucas fotos, apenas as imprescindíveis com aqueles que compartilham meus sonhos. Assim que cheguei em Paris, junto com vinte paisagistas amigos, me entreguei a uma espécie de êxtase, uma sensação de encantamento prazeroso que iluminava minha alma quase em transe. Era um estado hipnótico, mas com a consciência de quem sonha lucidamente, inspirado pelas imagens cheias de história.

Imagine a evolução da vida dessa cidade que instalou, na margem esquerda do Rio Sena, seus primeiros habitantes seis mil anos atrás. Pense em uma Paris recebendo o exercito de César, meio século antes de Jesus nascer, em Nostradamus, conversando com Catarina de Médicis sobre os destinos da França e de seu marido, o rei Henrique II. Fantasie o encontro entre Cézanne, Van Gogh e Pissarro no Chateau d’Auvers, em uma pequena cidade medieval, localizada ás margens do rio Oise, onde discutiam sobre pintura impressionista, bebendo absinto. Fantasiou? Eu também e sentado na mesma mesa onde eles argumentavam sobre cores e formas. Caminhamos pelos jardins do Palais Royal, conjecturando o que impulsionou o Cardeal Richelieu a fazer essa obra grandiosa, projetada pelo arquiteto Jacques Lemercier, enquanto armava intrigas contra os mosqueteiros Athos, Porthos e Aramis.

Grupo de paisagistas em Paris, com Patrick Blanc

Passeamos pelos jardins de Luxemburgo projetados no século XVII por Jacques boyceau, Nicolas Deschamps e Thomas Francini, usando um novo sistema de canteiros floridos desenhados por Claude Mollet. Fomos a Giverny e constatamos a beleza dos jardins bucólicos, construídos e imortalizados por Monet em dezenas de pinturas. Andamos muito, mas não demais, porque não há exageros quando se abusa de Paris e de tudo o que há de se conhecer perto da Cidade-Luz. Versailles, sem palavras! Parc André Citroën, moderno e majestoso. O Festival dês Jardins de Chaumont-sur-Loire, incrível! Reunindo paisagistas de diferentes países propondo, em seus espaços, excentricidades contemporâneas, sendo algumas muito doidas; tudo isto em uma cidadezinha digna de contos de fadas.

E, ainda por cima, na companhia de famosos paisagistas franceses, como Thierry Jacquet , que nos levou a conhecer seu projeto no Parc du Chemin de l’Ile, um parque público de 15 hectares com a funcionalidade de tratar as águas do Rio Sena. Patrick Blanc mostrando e conversando longamente junto a um de seus jardins verticais mais famosos, perto da Tour Eiffel e Gilles Clément, o maior paisagista da França, recebendo nos na sua casa de campo onde passamos um dia maravilhoso ouvindo mil histórias dos lábios desse homem que surpreende pela sua simplicidade.

Raul Cânovas com o paisagista Thierry Jacquet

Foi uma viagem inesquecível onde tivemos o privilegio de conhecer a l’École nationale supérieure du paysage de Versailles, onde A diretora adjunta Martine Méritan nos recebeu carinhosamente e também a Fédération Française du Paysage. Ali fiz uma palestra falando um pouco sobre nossos jardins e sobre as excelências naturais do Brasil.

Em fim… vive La France de Rimbaud, Joana D’Arc, Marcel Duchamp, Dior, Catherine Deneuve e Philippe Stark e… a tout à l’heure!!!
 

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