Os jardins de março

O verão acaba neste mês, mas as flores continuam

No Brasil, o verão promete continuar atropelando o outono. Março, apesar da fama um tanto funesta, obtida desde os famosos idos de Março de 44 a. C. data em que o Imperador Júlio César foi assassinado às mãos de Brutus e outros conspiradores, é um mês simpático e acolhedor. Aliás, na Roma Antiga era o primeiro mês do ano e era dedicado a Marte (Martius), deus da guerra, e festejava-se a entrada da primavera marcando, também, o início da temporada das campanhas militares e das flores nos jardins do Império. Ele traz o equinócio daqui a pouco, que é o momento em que o Sol cruza a linha do equador, igualando a duração da noite com a do dia (aequus = igual e nox = noite).
Independente então da fama de nefasto e danoso, já que foi nesse período das quatro semanas que muitas personalidades, como Beethoven e Karl Marx, morreram, é uma época de expectativas e de confiança. Nós, por aqui, vemos a perspectiva de meses fartos e de alamandas e camélias floridas.
É um momento, ainda, para adubar com adubos nitrogenados e húmus de minhocas, para regas abundantes nos dias secos e para ficar de olho com pulgões e outras pragas que vão atrás dos brotos tenros dos arbustos.
Mas o mais importante é curtir este mês de temperaturas altas, utilizando o jardim como uma extensão da sala de estar. Ficar nele no entardecer e contemplar as primeiras estrelas, bebericando uma cervejinha ou até jantando ao luar, que é um prazer, um luxo que não tem preço. Observe algum canto desse espaço lá fora e crie algo acolhedor, como um banco confortável e uma dama-da-noite por perto para lhe oferecer perfume. Viver brasileiramente é conviver com a natureza que temos ao nosso redor, é tirar partido de coisas simples e gostosas que o nosso clima propicia com uma generosidade incomum.

Viva como um sultão, mas com a possibilidade de desfrutar das benesses que eles não tinham. Saladino, que casualmente morreu no mês de março, foi sultão e líder muçulmano de toda a vasta região que vai do Egito à Pérsia, liderando um exército de mais de 500 mil homens. Ficou na história pelo cavalheirismo e a maneira espirituosa de viver, rodeado de incensos perfumados e muitas flores frescas, independente das jornadas difíceis que as campanhas militares lhe exigiam.

Faça isso e cante:

São as águas de março
Fechando o verão
É a promessa de vida
No teu coração…

Tom Jobim, lá em cima, vai gostar e você também!

Autor: Raul Cânovas

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