Áreas Verdes Urbanas

Espaços com vegetação predominante, como: alamedas, praças, parques, centros recreativos e até cemitérios-parques, funcionam como pulmões nas cidades


Vista aérea do rio Cheonggyecheon

A qualidade do ar que respiramos nas grandes metrópoles brasileiras, que hoje somam 285 com mais de 100 mil habitantes, é preocupante e apesar de serem regiões de inovação, criatividade e descobertas, produzindo saber e novos conhecimentos, perderam espaços verdes. Atualmente há um consenso que aconselha entre 9 e 12 metros quadrados de área verde por habitante, porém frequentemente confunde-se este conceito incluindo um canteiro de azaleias como uma área verde, quando deveria se pensar nos aspectos ecológicos que estimulem a produção de oxigênio e umidade, criando micro climas despoluídos. Para que isto aconteça é necessário que as prefeituras, por intermédio de seus departamentos de áreas verdes, estudem com seriedade e tecnologia, caso a caso, cada espaço livre de construções e de asfalto, do município em que atuam.

A arborização urbana é importante nas regiões tropicais e subtropicais já que, constituída por folhagem perene, atua ininterruptamente, moderando os impactos ocasionados pela poluição. A formação de “cinturões florestais” é uma prática cada vez mais comum nos países desenvolvidos, onde as experiências demonstram, por exemplo, que árvores com folhas grandes e permanentes suportam melhor os ambientes contaminados por gases tóxicos, como é o caso do dióxido de enxofre, atuando como verdadeiros filtros. Nos cruzamentos de vias com tráfico intenso de veículos e também próximo das lombadas, constatou-se maior concentração de cádmio, estimulado pelo desgaste dos pneus e de bário, um elemento químico tóxico, presente nas velas de ignição. Nesses locais onde há também altas concentrações de pedestres e até bancas de jornais e bares com mesas na calçada, uma intervenção paisagística séria, que não vise apenas os aspectos estéticos é fundamental, aumentando a área verde por habitante, recomendada pela Organização Mundial da Saúde que, no município de São Paulo, não passa dos 4 metros quadrados por habitante, enquanto que São Bernardo mal alcança os 0,25 metros quadrados por habitante.


Rio Cheonggyecheon, em Seul, na Coréia do Sul, após sua recuperação

Precisamos seguir os exemplos de cidades como Tóquio, onde foi constatado que a temperatura, no centro da cidade, alcançava 40 graus, enquanto que nos seus bairros arborizados, ficava em 28,5 graus, por isto as autoridades locais não apenas incentivam o plantio, como mapeiam as árvores da malha urbana, controlando o estado fitossanitário delas. Em Beijing, cidade com 18 milhões de habitantes, a silvicultura urbana foi aumentada em mais de 30% e em Seul há 236 espaços verdes, na área metropolitana. Isto equivale a quase seis vezes o total de parques existentes em São Paulo. A capital da Coreia do Sul ficou notabilizada do ponto de vista ecológico, com a recuperação do rio Cheonggyecheon, totalmente despoluído e ladeado por jardins, em uma zona urbana degradada até pouco tempo.

Autor: Raul Cânovas

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