A poluição nas cidades

O excesso de veículos e a falta de árvores prejudicam a saúde das pessoas


O jatobá é um aliado no controle da poluição

 

Não quero ser chato, defendendo posições extremistas que condenam os carros à prisão perpétua num ferro velho qualquer. Ando com o meu por falta de alternativas e porque minha atividade, nada rotineira, me obriga a trajetos diferentes todos os dias. Nestes percursos pouco aproveito da paisagem urbana porque devo ficar atento aos outros veículos (especialmente às motos ziguezagueantes) e como o resto das pessoas, no final de cada jornada, fico bastante cansado psiquicamente. Sei que o estilo de vida que inventamos, para bem e para mal, tem essas vicissitudes e que uma terapia, pelo menos em parte, pode contornar tudo isto.

Porém os problemas não se resumem a desequilíbrios emocionais. A Organização Mundial de Saúde (OMS) constatou que a poluição atmosférica mata, todos os anos, três milhões de pessoas no mundo. Na Europa, uma em cada três mortes de crianças deve-se à má qualidade do ar das metrópoles, o que perfaz um número alarmante de cem mil mortes anuais, representando 34% das mortes de meninos e meninas.

Nas mulheres grávidas, a exposição diária e demorada a determinados poluentes nas ruas das cidades, em especial ao monóxido de carbono, pode provocar deficiências cardíacas nos fetos. Esta probabilidade foi verificada por uma equipe de cientistas da Universidade da Califórnia, num trabalho de monitoramento e de colheita de dados de nove mil bebês, nascidos entre 1987 e 1993, e de suas mães. Eles detectaram que as mães residentes em locais com tráfego intenso têm três vezes mais bebês com problemas cardíacos do que as mães que vivem em zonas com um ar mais puro.


Smog

A questão do smog, palavra de origem inglesa que é a contração de smoke, que quer dizer fumaça e de fog, que é neblina ou nevoeiro, preocupa já faz algum tempo. Em Los Angeles, USA, na década de 1940, foi analisado, e em Londres, num acidente ambiental, matou 4 mil ingleses entre os dias 5 e 9 de dezembro de 1952. O smog é nocivo, causando problemas respiratórios, principalmente em idosos e crianças. Na China e Japão, só para citar alguns exemplos, às vezes é necessário o uso de máscaras para andar pela cidade. Ocasiona tosse e asma, produzindo uma inflamação pulmonar que pode persistir por até 18 horas, depois da exposição a ele. As partículas ultrafinas do smog podem penetrar nos pulmões e interferir nas suas funções, podendo ser fatal.


Estudantes, em Tóquio, usando máscaras para proteger se do smog

Por causa do smog são desaconselháveis as atividades físicas ao ar livre ou mesmo caminhadas durante à tarde e no começo da noite nos dias em que ele surge. Também são desaconselhadas caminhadas próximas às áreas de trânsito intenso, especialmente nos horários de rush, apesar de que, por se deslocar com a ajuda dos ventos, pode afetar áreas residenciais. Ele pode conter aerossóis ácidos, dióxido ou óxido de nitrogênio e outros gases em sua composição, sendo todos eles danosos à saúde. Ideal seria restringir o uso do diesel ou, pelo menos, a concentração de enxofre que ele têm, aumentar o consumo de GNV (gás natural), cuja queima é uma das mais limpas, ou do álcool já que tem oxigênio na composição, sua combustão fica mais fácil e, por isso, libera menos poluentes e, até no futuro próximo, incentivar o carro movido a eletricidade.

 

Entretanto, tudo isso é inútil se não plantarmos árvores que proporcionem conforto térmico e reduzam a poluição.


Autor: Raul Cânovas

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