Uma festa de Réveillon

Sempre imaginamos um 31 de dezembro cheio de glamour

Entretanto, certa vez, presenciei uma comemoração onde ninguém estava de longo ou se deleitava com uma orquestra tocando sucessos. Reunidos no Parque de Ibirapuera, sentados, formando um círculo no gramado, esperavam o fim do mundo. Na medida em que a noite avançava, aproximando-se da zero hora, os rostos do grupo ganhavam expressões que misturavam expectativa com algo de extravagante alienação.

Eu, que acredito na eternidade humana, pressentia o desapontamento dessa gente que, quase em estado de beatitude, esperava ser abduzido por uma força suprema e inteligente que lhes oferecesse algo mais do que a simples ventura de “ser” por aqui mesmo. Vestiam branco e sussurravam algo que parecia um mantra, com uma rítmica doce, mas repetitiva e meio tediosa.

Lembro não ter ficado para ver até o final o que aconteceu com a turma fatalista, porém, imagino o desapontamento deles quando o amanhecer lhes mostrou o dia novo que estreava um ano virgem, suportando já bilhões de promessas e pedidos feitos por uma humanidade bêbada de felicidade.

Apesar de não ter presenciado a desilusão deles – curioso como sempre fui – passei naquela madrugada, voltando à minha casa depois de uma festa linda e animada e vi, nesse local gramado, os panos brancos que vestiram essas pessoas. Estavam deitados, escrupulosamente alinhados, como se fossem indivíduos sem alma. Ficaram ai, apenas os panos, como esperando o milagre de uma vida utópica cheia de magia. Segui meu caminho, feliz de ter o sonho vulgar de andar por este mundo que me oferece descobertas a cada dia.

Tomara que 2013 traga novos achados. Tomara… linda palavra que encerra sempre um almejar de coisas boas e que, aliás, gosto mais do que oxalá.

E na última crônica do ano, sem saber o que você está pensando, mas já estando de acordo com seus desejos mais loucos, me despeço dizendo:…Tomara!

Autor: Raul Cânovas

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