Roberto, o que acha da nova Marina da Glória?

Minha pergunta é dirigida a Roberto Burle Marx (1909 – 1994) que projetou os jardins do Aterro do Flamengo


Roberto Burle Marx
 

Evidentemente o que considero o maior paisagista de todos os tempos não vai me responder, já que há tempos foi embora para criar Jardins Celestiais. Mas deixo de qualquer forma a minha pergunta no ar, para ser respondida por alguém: será que depois de implantado, o projeto do arquiteto Índio da Costa vai ficar integrado a esse complexo paisagístico de 1.200.000 m² de área verde à beira-mar?


Projeto da Nova Marina da Gloria

Segundo Eike Batista, que administra negócios nos segmentos de mineração, imóveis, energia, fontes renováveis e entretenimento, sim. Desde sua sede, que fica exatamente no bairro do Flamengo, o magnata mineiro listado em 2011 pela Revista Forbes como a 8ª pessoa mais rica do mundo, afirma que as obras não irão interferir no conjunto paisagístico do Parque do Flamengo, seja qual for o ponto de vista do observador. Eike, ex-marido de Luma de Oliveira, estima que o empreendimento custe entre R$ 200 milhões e R$ 220 milhões, com obras a serem iniciadas em 2012.


Eike Batista
 

No ponto mais alto, o prédio terá 15 metros, o equivalente a um edifício de cinco andares. A expectativa do grupo é concluir as obras em dois anos e inaugurá-las antes da Copa de 2014. A nova Marina da Glória terá o formato de uma vela e grande parte das instalações ficará no subsolo, para que o público possa andar por uma esplanada estilizada, com um mirante avançando até o mar. O conceito da nova Marina, pensada como um dos legados para as Olimpíadas de 2016, foi aprovado na semana passada pelo IPHAN, em Brasília.

Mas o órgão do Ministério da Cultura, que tem a missão de preservar o patrimônio cultural brasileiro, só analisou se o projeto estava em harmonia com o parque, que é tombado. Para que a nova Marina saia do papel, ela ainda terá que receber licenças ambientais e de obras. Se aprovado, vai ampliar e modernizar a infraestrutura náutica que passará a ter 850 vagas, entre secas e molhadas (mais do dobro que hoje), contemplando ainda um centro cultural, centro de convenções, auditório, mirante, esplanada aberta, terminal turístico, área de apoio náutico e um posto de abastecimento, além de preparar a Marina para receber as competições de vela dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016.

O arquiteto Índio da Costa venceu 33 concorrentes em concurso internacional feito pela EBX e assegura que foram respeitados os parâmetros propostos pelo IPHAN. A ideia foi a de criar uma instalação o mais minimalista possível, integrada com o Aterro do Flamengo, como acontece hoje com o Museu de Arte Moderna (MAM), disse o arquiteto.

Em 2006 ele ganhou o Prêmio Oficial da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura, pelo projeto Orla Rio e, no mesmo ano, a Medalha Oscar Niemeyer pela exemplar contribuição para a produção da melhor arquitetura. Outros concursos ganhos como: o 1º lugar na concorrência promovida pela Companhia Docas do Rio de Janeiro para revitalização do conjunto Píer Mauá do Cais do Porto no Rio, em 1996 e o projeto Rio Cidade II, na Tijuca, o indicam como alguém que consegue captar a paisagem arquitetônica da Cidade Maravilhosa.


Vista parcial do Aterro do Flamengo
 

Contudo, ainda gera polêmicas, depois de uma longa disputa judicial que inviabilizou um projeto anterior de uma estação de passageiros que interferia a visão do Pão de Açúcar. O movimento SOS Parque do Flamengo, integrado por frequentadores do aterro, tem afirmado nas redes sociais que o IPHAN aprovou o projeto antes de ele ser discutido e aprovado em audiência pública. Outro complicador é que as obras não resolvem o problema do lançamento de esgotos na Praia do Flamengo, devido a ligações clandestinas na rede de águas pluviais. O despejo dessas ligações chega hoje a 300 litros por segundo. A obra tem um custo estimado de R$ 12 milhões. Eike Batista tem um acordo verbal com o Estado de ajudar com a metade dos recursos.

Enfim, espero que Burle Marx, lá em cima, não fique de mau humor e aprove tudo isto.

Autor: Raul Cânovas

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