Os anéis das árvores

Eles revelam anos chuvosos ou extensos períodos de estiagem

Corte de um tronco de teixo

Troncos de árvores encerram dados sobre temperatura, chuvas, ventos, erupções vulcânicas e, até, incêndios nas florestas. Graças a seus anéis os cientistas conseguiram investigar os padrões dos distintos elementos atmosféricos que ocorreram na Terra desde a Roma Antiga. Ano a ano, especialmente entre o início da primavera e o fim do outono vão se formando estes anéis de crescimento, devido à permanente divisão das células. Nunca são iguais, de modo quase escondido mostram que a árvore teve um desenvolvimento maior nos anos quentes e com precipitações generosas ou, pelo contrário, se mostram mirrados quando esses doze meses foram frios e secos.

A Dendrocronologia que investiga a idade das árvores se baseia exatamente no que é indicado pelos anéis. O método foi inventado e desenvolvido por A. E. Douglass, fundador do laboratório Tree-Ring Research, na Universidade do Arizona, EUA. Recentemente, Jan Esper, diretor do Departamento de Dendrocronologia, na Universidade de Mainz, Alemanha, afirmou que os anos frios são, geralmente, indicados por anéis mais estreitos. Isto não aparece em uma árvore apenas, mas em muitas outras que crescem próximas.

No norte da Finlândia, explica Esper, há uma região limítrofe entre o bosque e a montanha. A região apresenta condições ideais para pesquisas, não apenas analisando exemplares vivos mas, também, madeiras de troncos que pertenciam a árvores há muito tempo mortas. Nesse país os lagos de águas rasas são comuns e quando uma árvore tomba em um deles sua madeira fica preservada por milhares de anos, permitindo a reconstrução da história climática do planeta nos últimos 20 séculos.

É importante lembrar que as árvores nessas zonas temperadas da Escandinávia, como é o caso da Finlândia, produzem seus tecidos apenas durante os poucos meses de temperaturas mais elevadas, formando unicamente um anel a cada ano. Nas regiões, como as nossas aqui no Brasil, onde as estações não são tão marcadas pelas diferenças do clima e com chuvas mais abundantes, as marcas nos troncos tornam-se mais irregulares.

Para retirar uma amostra, que permita verificar tudo isto, os cientistas usam uma broca introduzida no tronco e girada manualmente que, com a ajuda de uma espécie de espeto, é recolhida. A porção de madeira obtida é parecida com um lápis listrado, com aproximadamente cinco milímetros de espessura, revelando através dos anéis a idade da árvore. As conclusões são feitas depois de que a amostra é colocada em um suporte e aplainada, formando uma superfície delgada onde é observado com um microscópio estéreo, acoplado a uma mesa. Cada anel é medido através do movimento dessa mesa, equipada com um sistema eletrônico criando um gráfico.

Broca para amostragem dendrocronologia e anel de crescimento

Esper concluiu, depois de medições que, nos 2 mil anos desde a era romana até cerca de 1900, cada milênio ficou 0,3ºC mais frio na Finlândia. Ele não incluiu nesse cálculo o período posterior a essa data, porque aí começa um novo fenômeno: o aumento do aquecimento global, causado pelos gases do efeito-estufa.

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