Oliver Sacks e as samambaias

O autor de Tempo de Despertar, que inspirou o filme homônimo com Robert De Niro e Robin Williams, vê publicado este diário de viagem.

Nascido há 78 anos em Londres, este neurologista lançou Enxaqueca, seu primeiro best-seller em 1970, e não parou mais de escrever. Agora a Companhia das Letras edita Diário de Oaxaca, escrito originalmente em 2002. Nele, narra uma expedição a essa região mexicana onde as montanhas de Sierra Madre beijam o céu e seus vales servem de berço para uma flora rica composta por mais de duas mil espécies. A UNESCO, depois de constatar essa biodiversidade, reconheceu no Estado a área natural de Huatulco, como uma das 529 Reservas Mundiais da Biosfera distribuídas por 105 países.

No relato, Oliver Sacks descreve minuciosamente plantas, especialmente as samambaias e alguns dos mais de 500 pássaros de Oaxaca, que observou durante dez dias enquanto acompanhava um grupo de botânicos interessados em descobrir o local, muitas vezes tomado por densa névoa, onde esses fetos vegetais crescem e se reproduzem. No livro, Sacks, deixa transparecer seu lado de professor de neurologia quando analisa o comportamento de seus companheiros de excursão, composta por pessoas vindas da Inglaterra e dos Estados Unidos, com o único objetivo de contemplar a natureza de perto e ver, claro, muitas samambaias.

Este especialista da neurociência encanta desta vez aos que são apaixonados por botânica e pelo trópico generoso que multiplica no seu solo tantas e tantas plantas sem, no entanto, esquecer de relatar aspectos curiosos sobre o povo da região, seus costumes, o milho, a tequila e muitas outras coisas que caracterizam essa gente descendente do Império Zapoteca, oriundo de uma história com 11.000 anos de cultura evidenciada pelas pinturas rupestres achadas em Yagul, um sítio arqueológico pré-colombiano situado a 36 km da cidade de Oaxaca, capital do Estado.

Abordando uma série de assuntos, Diário de Oaxaca revela o lado íntimo do autor inglês que mora em Nova Iorque, mostrando um certo mal-estar em relação a ciência contemporânea e seus meios oficiais. Isto fica claro quando em diversas passagens do texto, Sacks exterioriza sua admiração por aqueles que, empiricamente, de modo amadorístico, investigam sem muito compromisso, mas com muita paixão as coisas da natureza. A eles, Oliver Sacks dedica este livro.

Com tradução de Laura Teixeira Motta, suas 128 páginas podem ser lidas por R$ 32,00. Imperdível para os que passeiam pelo Jardim das Idéias.

Autor: Raul Cânovas
 

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