Oi primavera!

Não sei se por um mero costume ou por uma atávica paixão, mas sempre cumprimento esta estação

Talvez os dois motivos sejam corretos, pelo menos no meu caso, já que me criei em uma cidade onde o outono era frio e decadente e primavera simbolizava juventude e flores por todas partes. Lembro de uma Buenos Aires festejando a entrada da estação com desfile de carruagens floridas, rainha cheia de frufrus, piqueniques de estudantes e vitrines de lojas famosas. Eu mesmo decorei algumas dessas vitrines na minha adolescência, usando o tema primaveril para criar decorações alusivas. Me diverti muito na época. Mas agora percebo que primaverar já não é como antes. O inverno, pelo menos aqui, em São Paulo, que é a cidade onde moro, foi meio xôxo, com dias mornos e árvores vestidas de cima para baixo com folhas que não demostraram um pingo de vontade de cair.

Festejo no Dia da Primavera, em Buenos Aires

Flores? por toda parte! Nem parecia aqueles invernos de outrora, quando andávamos encapotados até as orelhas, no meio de uma paisagem cinzenta que lembrava alguma pintura de Arcangelo Ianelli, feita lá pelos anos de 1940. Espero que este setembro que nos resta e os meses imediatos, que nos levam em direção de um dezembro de verão, ofereçam muito mais do que flores e plantas cheias de novas brotações. Já que a primavera é tida como uma marca associada à esperança, pediria que ela alimente nossas crenças nas pessoas, sei que para uma grande maioria é fundamental crer em algo além desta nossa vida terrena, isto é quase que um consenso, porém ficaria mais tranquilo se o mundo, e todos seus habitantes passageiros, acreditassem nos resultados imediatos, que podem ser obtidos cultivando este imenso jardim planetário. Canteiros de confiança adubados com boas probabilidades e regados com fé pura, proveniente dos melhores mananciais da nossas almas, seria algo fantástico!


Não consigo desvincular-me dessa imagem que o jardim da vida propicia. Mesmo porque é ela que mostra os segredos do sucesso da existência, uma existência onde vivenciamos, a cada primavera, uma oportunidade para aprender com a estação a sermos esperançosos. Perceber que a primavera aguardou o fim dos desesperos hibernais, para poder apostar em uma aurora prometedora, que irá trabalhar noventa dias para conseguir os resultados.

Cabe a nós fazer o mesmo, agora. Labutar três meses arriscando nossas fichas no jogo real do Ser.

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