O Grande Jardineiro Sumeriano

Bem antes de Nabucodonosor II (604 a 562 a. C.), criador dos Jardins da Babilônia e de Tiglath Pileser I (1112 a 1074 a. C.), o grande monarca assírio que importou plantas de terras distantes, um outro apaixonado pelos jardins deixou marcas na história.

Eu gosto de falar do improvável, porque o previsível não tem graça, e Sargão foi alguém que poderíamos chamar de surpreendente.

A mãe, uma alta sacerdotisa, logo depois do parto colocou-o numa cesta de juncos e, depois de selá-la com betume, depositou-o no rio. Para sorte do bebê, um rico barqueiro que era o carregador de água do reino resgatou-o e o adotou como filho, dando-lhe a honra de ser seu jardineiro-chefe. 

Akki, o rico salvador, sabia que o menino tinha sangue de jardineiro, porque o misterioso pai, que se chamava La’ibum, também teria cuidado das plantas que a cidade de Ur tinha pelos quatro cantos. Sabia também que esse romance deveria ser guardado a sete chaves já que, sendo ela uma sacerdotisa, não poderia andar por aí, longe dos altares e perto demais dos prazeres mundanos, ou pelo menos sumerianos, já que o mundo do jeito que é era pouco conhecido.

Bem, até aí a história é bastante parecida com a de Moisés, que da mesma forma foi colocado para flutuar em um rio e depois transformou-se em alguém de prestígio junto ao faraó, mas a saga de Sargão não termina por aí. Um dia, enquanto cuidava dos canteiros de flores do palacete de Akki, aparece Ishtar, a deusa acádia da fertilidade e da primavera e, como ela tinha alguns rituais com vinho e muita sensualidade, acaba por encantar nosso herói que, além de ser premiado com o amor da divindade, tem revelados para si os segredos do poder e da glória.

 
Sargão, o Grande

Foi assim que Sargão, o jardineiro, tornou-se Sargão, o Grande. Reinou por 56 anos, período no qual estendeu seu Império até o Mediterrâneo, incluindo toda a Mesopotâmia (o Iraque de hoje), partes dos atuais Irã e Síria, e possivelmente partes da Anatólia e da Península Arábica. Sua dinastia reinou por aproximadamente 150 anos.


Palácio de Sargão

Sargão da Acádia foi visto como modelo pelos reis da Mesopotâmia que o sucederam dois milênios depois de sua morte. Os reis babilônios e assírios viam-se como herdeiros do seu império, que de algum modo inspirou tantos e tão fantásticos jardins como os Jardins Suspensos da Babilônia, uma das sete maravilhas do mundo antigo, fascinando o historiador Diodoro Sículo, que os menciona na sua “Biblioteca Histórica”, escrita em grego, 50 anos antes do nascimento de Jesus Cristo.

Autor: Raul Cânovas

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