O cardamomo

Uma especiaria cujo perfume lembra vagamente cânfora e eucalipto, com sabor doce, fresco e picante, acompanha o café melhor do que o açúcar


Elettaria cardamomum

 

A Elettaria cardamomum é uma planta da família das zingiberaceas, como o gengibre e a cúrcuma, e seu aspecto lembra bastante o lírio-do-brejo. Como ele é uma herbácea de caules flexíveis e folhas grandes e ovais. Com mais ou menos 1,20m de altura, as flores são brancas e o fruto é uma cápsula verde-pálida, contendo dentro muitas sementes cheirosas, utilizadas na medicina indiana há mais de 3.000 anos, sendo citada nos textos védicos repetidas vezes como afrodisíaco e digestivo, seja na forma de um condimento acrescido aos alimentos ou como acompanhante de chá ou leite. Desde antes da era cristã foi importado pelos gregos e romanos, e os egípcios usavam-no para elaborar incensos e perfumes.

A Europa descobriu o cardamomo mais tarde, e o óleo essencial foi destilado, pela primeira vez, em 1544 por Valerius Cordus, depois que um explorador português trouxe a erva da costa sudoeste da Índia. Descobri, há tempos em um restaurante da região central de São Paulo, que os árabes usam as sementes no café como sinal de hospitalidade e fiquei fã do costume, não sei se pela relação acolhedora da sementinha ou pelo perfume exótico que realça o cafezinho depois de uma boa refeição. Acho que pelos dois motivos.

No ocidente é usado para dar aroma a licores, pães, carnes, embutidos, doces e sorvetes e combina bem com manjericão, canela, laranja, erva-doce e limão. Na perfumaria pode-se associa-lo ao sândalo, vetiver, ylang-ylang e ao jasmim.


Flor do cardamomo

A planta prefere climas quentes e úmidos, como os encontrados na Guatemala, Nepal, Tailândia, Índia, Sumatra, Tanzânia e Sri Lanka, países que aparecem como grandes produtores. Entretanto, atualmente é cultivado na Floresta Amazônica, Bahia e no Vale do Ribeira, em São Paulo, onde encontra solos ricos em matéria orgânica. Lá a colheita começa a partir do terceiro ano, quando já secos os frutos são deixados ao sol, em peneiras, para realçar o sabor e o aroma. A especiaria tem propriedades antissépticas, digestivas, diuréticas, expectorantes e laxantes e é aproveitada ainda para acalmar cãibras e espasmos musculares, fazendo massagens diluindo o cardamomo em óleo vegetal ou cremes.

Autor: Raul Cânovas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *