Gandhi e o neem

Mahatma Gandhi (1869 – 1948) foi o “A Grande Alma” da Índia que conhecemos hoje e no “satyagraha”, o caminho da verdade, descobriu entre tantas coisas, o neem


Mahatma Gandhi

O movimento Swadeshi (auto-suficiência) fez parte do protesto para colocar fim ao domínio britânico na Índia. Uma das estratégias era boicotar os produtos ingleses e melhorar as condições das pessoas restabelecendo a economia doméstica com técnicas de produção indianas. O neem, uma árvore que pode alcan&ccedilccedil;ar mais de 10 metros em 8 ou 10 anos, simbolizava a continuidade da tradição e supria a necessidade de viver de modo harmônico com a natureza. O Instituto Indiano de Ciências, em Bangalore, durante a década de 1920, fazia tortas de neem para usar nas plantações de cana como adubo e formicida orgânico, afastando cupins. Porém, agrotóxicos feitos com produtos químicos sintéticos surgiram no mercado e desestimularam os métodos tradicionais.


Árvore de neem em Delhi, India

Gandhi, no entanto, manteve viva a tradição do neem, acreditando firmemente nas vantagens que propiciava. Certa vez, um médico, respondendo a perguntas que Gandhi lhe fazia sobre a planta diz: "Fizemos experiências com as folhas de neem em laboratório e revelaram que contêm mais nutrientes do que qualquer outra planta que havia sido submetida a análises químicas antes.” Atualmente importantes especialistas florestais europeus admitiram que a Azadirachta indica é uma das árvores mais promissoras do século 21, com um grande potencial nas áreas de manejo de pragas, proteção do meio ambiente e medicina.

Há indícios de que o neem era usado como tratamento medicamentoso 4.500 anos atrás. Este foi o ponto alto da cultura da civilização harappeana, chamada também de civilização do Vale do Indo, uma das grandes civilizações do mundo antigo. As escavações em Harappa e Mohenjo-Daro, cidades que são Patrimônio Cultural da UNESCO, no noroeste da Índia Ocidental, e que datam desse período, revelaram vários compostos terapêuticos, incluindo folhas de neem.

Na Índia continua a ser considerada uma Árvore Sagrada, por sua copa sempre verde, pela resistência de sua madeira e por seus benefícios profiláticos e terapêuticos. Os indianos se referem a ela como a "farmácia da aldeia" por ser inseticida natural, repelente de insetos como piolhos, antiparasitária é eficaz contra vermes, fungicida, bactericida e antisséptica.

No início dos anos 90, foi introduzida no Ceará, no Sítio Neem, que se dedicou ao cultivo dessa árvore, de flores brancas e aromáticas e agora produz uma linha de produtos, explorando suas qualidades. Seu cultivo não exige solos de alta fertilidade, desenvolvendo-se bem até em terrenos áridos. Entretanto não suporta terra encharcada e ácida e é indicada para regiões livres de geadas.


Flores do Neem

É eficiente no controle de mais de 200 tipos de pragas e doenças, entre elas: mosca branca, mosca minadora, mosca-das-frutas, pulgões, traça das crucíferas, lagarta do cartucho, brocas do tomateiro, ácaros, trips, cochonilhas, bicho mineiro do cafeeiro, bicho minador do citros, besouros, lagartas, gafanhotos, mosca doméstica, baratas, formigas, pulgas, mosquitos, pernilongos, Aedes aegypti, berne, carrapato, piolhos, gorgulho do arroz e nematóides. Além do mais, aumenta a população de minhocas e fixa nitrogênio no solo.

Em casas de insumos agrícolas pode ser adquirido o extrato de neem e as sementes. As mudas devem ser procuradas junto aos produtores de árvores.

 

 Autor: Raul Cânovas
 

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