Extrativismo vegetal

Assim é chamada a coleta de produtos nativos nas nossas matas

Sementes, folhas, flores, madeiras e/ou frutos são apanhados desde tempos remotos, para suprir as necessidades básicas do homem, seja para alimentação, moradia, vestiário ou para cura. Isto tem acontecido antes mesmo do surgimento do Homo Sapiens. A partir do século XVI as descobertas de novas terras incrementaram a extração de plantas, atividade esta, desempenhada pelos naturalistas; Linneo, Humboldt, Darwin e Florentino Ameguino, foram, entre os muitos, os que viajaram descobrindo espécies vegetais. Mais recentemente todas essas coisas que a natureza propiciava foram designadas de “matéria prima” imaginando que a flora pródiga seria inesgotável.

Quando, desde Porto Seguro, Pero Vaz de Caminha escreveu em sua carta, endereçada a D. Manuel I, “em se plantando tudo dá”; esqueceu de dizer que já estavam retirando lenha e frutos, para a subsistência da expedição comandada por Pedro Álvares Cabral. Desde esse momento, América forneceu uma gama interminável de plantas nativas, transformando-se em produtos importantes na cultura da Europa. Pimentões, algodão, abacaxi, batatas, cacau, girassol, milho, mandioca, amendoim, tabaco, tomate, baunilha, abóboras e outras largamente utilizadas no mundo todo, mudaram os costumes da humanidade.

Por aqui, continuamos nos aproveitando das fibras que o buriti, a carnaúba, a piaçava e a taboa fornecem, além de tirar proveito das árvores que dão borracha e castanha-do-pará e dos óleos extraídos da andiroba, babaçu e copaíba. Mas o que me preocupa é o lado ilegal da coisa, o extrativismo descontrolado de plantas aromáticas e ornamentais – como orquídeas e bromelias – que são vendidas à beira das estradas, sem esquecer do palmito e do açaí. Lembro, nos anos de 1970, quando de forma descontrolada, eram comercializados xaxins, jerivás e guaimbês, para abastecer o mercado paisagístico.

De alguns anos para cá surgiram novas ideias, relacionadas com a sustentabilidade dos ecossistemas, envolvendo governo, entidades e pessoas; todos preocupados em desenvolver ou praticar o desenvolvimento sustentável.
Desse modo, novos paradigmas surgiram, modificando as atividades extrativistas no Brasil. Começou, assim, a ser delineado e o que inicialmente tinha só caráter ideológico e se passou à prática e as ações de sustentabilidade começaram a ser percebidas.

Autor: Raul Cânovas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *