Curiosidades e histórias das plantas que fizeram moda nos jardins brasileiros

Terceira Parte: chorão, bromélias, brinco-de-princesa.

Após a 1ª Guerra Mundial

A Clívia miniata (clívia) foi muito cultivada em São Paulo na década de 1920, ela é proveniente do Cabo Boa Esperança. Na mesma época a Murraya exotica (falsa-murta) é plantada no Rio de Janeiro, pelos paisagistas cariocas.

Na década de 30, os gladíolos, gérberas e as dálias inspiram os canteiros floridos das metrópoles brasileiras, a popularidade das dálias atinge o ponto culminante sendo cultivadas 3 mil variedades diferentes, outra das plantas preferidas é a Gardenia jasminoides (jasmim-do-cabo), que chegara a Europa proveniente da China, em 1754. Mais ou menos na mesma época, a Petrea subserrata (flor-de-são-miguel) surge nos jardins da Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo; ainda hoje, esta trepadeira de flores violáceas, é presença habitual nos projetos paisagísticos. A Zantedeschia aethiopica (copo-de-leite) é uma das plantas símbolo do Art Decô.


Clívia miniata.

Avenida Paulista

Quando a Avenida Paulista é inaugurada na virada do século, são plantados magnólias e plátanos; mais tarde, em 1908, esta avenida sofreu a primeira reforma, os ligustros e os ipês são projetados em forma de alamedas.

Bromeliáceas

No final do século XIX, uma planta brasileira torna-se um objeto de desejo na Inglaterra: o abacaxi. São publicados livros que ensinam como cultiva-la e obter frutos; aparecem gravuras e até esculturas em pedra.

As influências européias

Em plena era Victoriana, o estilo Chinoiserie impera, por isso, muitas plantas provenientes da China e do Japão entram na Europa e logo depois aqui no Brasil; as mais destacadas são: Howea belmoreana (palmeira-kentia), muito usada em cachepôs vermelhos com detalhes em bronze; Aspidistra elatior (aspidistra), Begonia rex (begônia), Solenostemon scutellarioides (cóleus), Viola tricolor (amor-perfeito), esta foi a flor favorita entre 1810 e 1870 nos jardins ingleses e, um pouco mais tarde, no leste do Estado Unidos. O Pelargonium zonale (gerânio), foi introduzido na Europa em 1609, graças a um envio feito pelo governador holandês da Cidade do Cabo, na África do Sul; popularizou-se primeiro em Amsterdã e foi muito usado nos jardins residências, do Rio de Janeiro e São Paulo, 100 anos atrás.


Howea belmoreana (palmeira-kentia).

Início do século XX

Nessa época, a Fuchsia (brinco-de-princesa) era uma trepadeira muito difundida, porém, depois da 1ª Guerra Mundial, caiu em desuso. Em Higienópolis, foram plantadas Aglaia odorata (aglaia), reforçando o conceito de bairro impecável, já que esta árvoreta tem flores perfumadas e folhas brilhantes, além de um formato estreito que a indicava para os recuos laterais. O Salix babylonica (chorão) começa ser usado nos estados do sul do país, por volta de 1910, para crescer a beira de lagos e riachos.

Foto: Kenpei

Salix babylonica (chorão)

Autor: Raul Cânovas

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