Credo! Morcegos

Não conheço ninguém que goste deles


Morcegos

Há um mito em torno destes mamíferos voadores, aliás os únicos animais com mamas que possuem asas e isto deve-se ao escritor irlandês Bram Stoker, que publicou “Drácula” em 1897, uma alegoria literária, onde um conde sinistro banca um morcego-vampiro e chupa o sangue de suas vítimas. Em realidade não lhe faltou imaginação já que não há morcegos que se alimentem de sangue na Europa. Das quase 1.200 espécies conhecidas, apenas três têm esse tipo de dieta nada simpática e são encontrados na América Latina, a partir do Sul do México, são os chamados hematófagos.


Esse aqui alimenta-se de frutas. Ainda bem!

Apesar de nada bonitos, colaboram substancialmente na manutenção dos ecossistemas, polinizando e disseminando sementes, além de controlar pragas da lavoura e dos jardins. Interagem de formas diversas com as plantas: comem folhas, néctar e frutos, transportam pólen, auxiliando a reprodução das espécies que visitam e usam as cavidades das árvores como abrigo. Aqueles que se alimentam de néctar, por exemplo, possuem línguas compridíssimas para alcançar o fundo dos tubos florais. Já os que transportam sementes são responsáveis pela dispersão de mais de 500 espécies vegetais americanas. Alguns deles constroem ninhos parecidos com tendas nas folhas das árvores e têm como hábito levar os frutos para comê-los debaixo delas, dispersando assim as sementes.


Batman

No Brasil são protegidos pela Lei de Proteção à Fauna e sua caça ou destruição são considerados crime. Em Mato Grosso e Minas Gerais vêm sendo registrados surtos de raiva transmitida por espécies hematófagas. Isto é por causa da intensa ação antrópica, cada vez mais frequente, que vem tirando os alimentos e destruindo o habitat dessas espécies para a construção de casas e loteamentos. As populações humanas, ao se estabelecerem na rota de migração dessas espécies, acabam sujeitas a contrair a doença, que também afeta o gado.

Em certas culturas, como na chinesa, são tidos como símbolo de felicidade e de vida longa. Algo parecido acontece entre eslavos e árabes, onde não há esse sentimento de repulsa tão comum entre aqueles que veem eles como símbolos de morte ou de doenças. Eu, que curto desde criança o Batman, vejo neles o herói taciturno que, embora rejeitado e perseguido, nos protege do mal verdadeiro.

Autor: Raul Cânovas

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