Comemoração do casamento nos jardins do Palácio de Buckingham

A Rainha Elizabeth II será a anfitriã da recepção, logo depois do casamento do Príncipe William com Kate Middleton


Vista dos jardins do Palácio de Buckingham na primavera de 2010

Não resisti à tentação de ser mais um a noticiar alguma coisa sobre a boda mais comentada dos últimos tempos. Apesar disso, não vou cair na tentação de falar dos convidados, da igreja ou dos padrinhos reais. Meu interesse são os jardins do Palácio de Buckingham, palco da festa que vai acontecer depois do casamento e do jantar com baile que o príncipe Charles vai oferecer para um “grupinho seleto” de 300 convidados.

Prefiro falar de outros atores deste “conto de fadas”, como a imprensa se refere. Um deles é Mark Lane, encarregado dos jardins que ficam atrás do palácio. Ele é responsável por uma manutenção sustentável visando que toda essa área verde seja a mais natural possível. A maior parte dos gramados, por exemplo, são mantidos altos para que 320 tipos diferentes de flores silvestres surjam agora na primavera londrina. Além disso, o combustível usado para os cortadores de grama é biodegradável.


Vista aérea do Palácio de Buckingham e seus jardins, no meio da cidade de Londres

Outra curiosidade são os troncos secos deixados propositalmente, de forma aleatória, no meio dos bosques, para que sirvam de abrigo a animais, insetos e novas variedades de cogumelos. O lixo, incluindo o gerado pelos estábulos, é reciclado, por ordem do príncipe Charles, um incentivador das causas ecológicas. A preocupação de Mark Lane, até poucas semanas atrás, era contratar um bom jardineiro, com formação em horticultura e especialização em roseiras, para colaborar com a equipe que cuida dessa área de 170 mil metros quadrados. E olha que o salário oferecido não era nada desprezível, especialmente se levarmos em conta que esse jardineiro vai morar no palácio, em pleno centro da capital inglesa, com todas as mordomias e alimentação paga pela Coroa Britânica: R$ 40 mil ao ano.

Os jardins foram projetados inicialmente por Capability Brown, um dos pais do paisagismo inglês, no século XVIII. Seus trabalhos caracterizavam-se pela aparência natural, dando a impressão de não terem sido projetados. O apelido "Capability" (capacidade, em português) é da sua própria autoria. Indicava aos seus clientes que os seus jardins tinham "capacidade" ou "possibilidade". Quase cem anos mais tarde, William Townsend Aiton (1766-1849) um botânico escocês que sucedera o pai como chefe dos jardineiros de Kew Gardens deu continuidade aos trabalhos, junto ao arquiteto John Nash que desenhou, entre outras coisas, a fachada que está voltada aos jardins, revestida por uma pedra de tons ouro pálido. O grande lago artificial, com dois hectares e, atualmente habitado por flamingos, foi finalizado em 1828 e é abastecido pelas águas do lago Serpentine, do Hyde Park.

Esta área verde, que é a maior de uma capital que contabiliza 143 parques ocupando 30% da cidade e proporcionando a invejável marca de 26,9 metros quadrados por habitante de espaço aberto (a OMS recomenda 12m² por hab.), foi ocupada inicialmente por Sir William Blake em 1624 e depois, em 1633, Lord George Goring, Conde de Norwich começou a desenvolver esses jardins que eram chamados de “Goring Great Garden”.


Festa nos jardins com a rainha Elizabeth II (de guardachuva transparente)

A rainha Elizabeth II organiza três festas de verão, convidando o público em diversas ocasiões. Em 2006, comemorando seu 80° aniversario foi feita uma festa inesquecível para os britânicos, com 27 mil convidados.


The Mall

A Alameda (conhecida como The Mall), uma via de aproximação cerimonial ao palácio, repleta de pinheiros, carvalhos e faias, foi desenhada por Sir Aston Webb, um arquiteto que foi presidente da Academia Real Inglesa, e concluída em 1911 como parte de um grande memorial à rainha Vitória. Esta alameda estende-se desde o Arco do Almirantado (Admiralty Arch), subindo até à rotunda em volta do Memorial de Vitória e ao átrio do palácio. Esta via é usada para as cavalgadas e desfiles de automóveis de todos os chefes de estados em visita, e também pela família real em ocasiões como esta boda memorável .

Autor: Raul Cânovas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *