Chuvas

Por puro preconceito julgamos os dias chuvosos como “mau tempo”

Entretanto graças à elas mantemos a vivacidade das nossas matas. Bastaria dizer, por exemplo, que os ventos provenientes da região amazônica levam vapor de água elevando a umidade relativa do ar em outras áreas do país. Os cientistas chamam isto de “rios voadores” algo assim como cursos de água atmosféricos que, de forma silenciosa e invisível, minimizam problemas, como elevação de temperatura e desertificação, só para citar alguns.

Nos últimos dias as precipitações no Sudeste, Centro-Oeste e também em alguns distritos nordestinos beneficiaram a agricultura, especialmente a soja, o café e a cana de açúcar. Portanto, se analisarmos melhor, devemos reconhecer que a estiagem prolongada deve ser responsabilizada por esse mau tempo que é tão comentado pelos noticiários quando chove. Imagine o que seria das áreas verdes se não fosse toda essa água que São Pedro nos manda periodicamente, desempenhando um papel fundamental no ciclo hidrológico. Brasília é um lugar que serve para documentar os efeitos de meses sem uma gota d’água, quando, entre maio e setembro, os gramados perdem totalmente o viço.

É claro que alagamentos e queda de barreiras causam enormes transtornos, mas não são as manifestações meteorológicas as responsáveis pelas tragédias urbanas; mesmo as nuvens que não são transformadas em gotas que caem em forma de qualquer tipo de chuva, evaporando-se, são responsáveis por confortos térmicos importantes. São vários os tipos de chuva, segundo os meteorologistas, frontais quando uma massa quente e úmida se encontra com outra seca e fria. As chamadas chuvas de verão, típicas no Rio de Janeiro e São Paulo ocasionadas pelas brisas marítimas, que as transformam em torós e as chuvas serranas, muito frequentes nas regiões onde as encostas estão voltadas para o mar, como na Serra do Mar de Santa Catarina, Paraná e o litoral paulista.

Uma coisa deve ficar clara, e é que elas não são substituídas totalmente por sistemas de irrigação. O Nitrogênio, por exemplo, é fixado no solo, aumentando a quantidade de nitratos, graças aos relâmpagos que contribuem com 58% das necessidades da vegetação, permitindo a fotossíntese, a formação de proteínas e o crescimento da massa foliar, intensificando as tonalidades de verde. As mais favorecidas são as plantas epífitas, que são aquelas que vivem sobre outras plantas sem, no entanto, parasitá-las ou sobre pedras, telhas, etc. Entre elas se destacam algumas samambaias, bromélias, orquídeas e begônias, além dos musgos, que aproveitam as chuvas para fixar esse elemento tão importante que é o Nitrogênio.

Autor: Raul Cânovas

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