Carnaval

O carnaval, ou entrudo como era chamada esta festa dedicada ao rei Momo, em meados do século XIX, era bastante primário e primitivo. Debret pintou as primeiras tentativas de implantar esta tradição importada dos Açores, onde brincavam com limões feitos de cera e água perfumada.

Não era nada raro se deparar com o Imperador e seus ministros brincando com ovos podres e folhas de hortaliças, emporcalhando os ricos trajes confeccionados com sedas, veludos e brocados. O próprio Dom Pedro II acabou, em uma dessas brincadeiras, no meio de um tanque de água, para algaravia geral e olha que nosso Imperador era tido como um homem sisudo e por vezes taciturno.

Foi nessa época, 1840, que se realizou o primeiro baile de máscaras, com forte influência francesa, no Rio de Janeiro. Mas, nas ruas, a tradição era portuguesa, com muita água, farinha e grupos que saiam cantando pelas ruas.

O carnaval foi se tornando popular por todo o Brasil e tiveram outras influências, na Bahia, por exemplo, os africanos trouxeram o afoxé, que eram grupos de negros cantando em nagô, fantasiados com roupas coloridas e luxuosas. Em Pernambuco surgiu o frevo em 1909, quando o povo ligava a dança frenética a algo que fervia, que pegava fogo.

Um personagem marcante e também histórico foi o sapateiro José Nogueira de Azevedo Paredes, que trouxe para o Rio de Janeiro, de sua terra, no Norte de Portugal, uma tradição conhecida como “Zé Pereira”. O Zé Pereira era formado por um grupo carnavalesco que, na véspera do carnaval, desfilava anunciando a festa com bumbos, zabumbas e outros tambores fazendo um barulho ensurdecedor e cantando:

“Viva o Zé – Pereira
Que a ninguém faz mal
E viva a bebedeira
Nos dias de carnaval!”

Este divertido lusitano desfilou por primeira vez, cantando essa marchinha em 1846.

Hoje os desfiles são luxuosos e em nada lembram os tímidos blocos do Zé- Pereira, nem aqueles foliões fantasiados de esqueletos, que usavam máscaras e roupas de defuntos para que, de algum modo, pudessem encarnar parentes e amigos mortos e fazer de conta que eles conseguiriam, assim, se divertir também.

Feliz carnaval a todos nossos amigos do “Jardim das Idéias”!

Autor: Raul Cânovas

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