As praças

Elas são, desde sempre, espaços de convívio com muito verde e sem edificações

 

Acredito que chegou a hora de repensar a função que cumprem nossas praças. Antigamente esses largos, esses espaços públicos, serviam para reuniões políticas, cerimônias religiosas e às vezes para espetáculos com saltimbancos, ou sainetes e comédias. Ocasionalmente vendedores de elixires, que curavam desde tose até queda de cabelo e também falta de marido, surgiam anunciando estridentemente suas bugigangas. As praças eram utilizadas, igualmente, nos funerais, festas de casamento e (que horror!) enforcamentos.


Praça Medieval

Entretanto o conceito da praça contemporânea deve ser explicado como uma área onde a vegetação é priorizada. Em décadas passadas sofremos com as praças-secas onde o concreto era preferido em detrimento de canteiros arborizados. Uma onda de “modernismo” mandava tiranicamente que se construíssem espaços culturais isentos de verde para pretensiosamente valorizar uma tendência minimalista. Contrariamente, acredito que devemos insistir na maximização da vegetação urbana, usando as superfícies livres para o plantio de essências arbóreas que diminuam os impactos nocivos da poluição atmosférica, sonora, visual e que contribuam para o melhor escoamento das águas das chuvas, diminuindo igualmente a ação dos ventos e da erosão.


Vista aérea do Parque Farroupilha, em Porto Alegre
 

Os paisagistas devem se inspirar no Parque Farroupilha de Porto Alegre, no Parque Trianon de São Paulo e no Aterro do Flamengo no Rio de Janeiro. Exemplos como a Praça Vermelha em Moscou ou o Memorial da América Latina, localizado em um bairro paulistano carente de áreas verdes, devem ser ignorados já que não proporcionam, além de uma estética discutível, o conforto ambiental necessário aos cidadãos.

No final das contas as praças servem para que? Tenho certeza de que o melhor uso desses espaços é o de caminhar distante da poluição ou de simplesmente ficar sentado sob a copa de uma árvore acolhedora, de mãos dadas com alguém que amamos.

Autor: Raul Cânovas

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