As enchentes no Rio de Janeiro e as árvores

Nos últimos dias, as manchetes de todos os jornais noticiaram inundações e desmoronamentos de terra, causados pelas chuvas, no Rio de Janeiro. Causados pelas chuvas? Bem, vamos ser realistas, chover, sempre choveu, os alagamentos são o resultado dos desmatamentos, das construções irregulares, das terraplenagens equivocadas e da impermeabilização do solo nos centros urbanos.

Isto é verdadeiro e simples de verificar, porque em áreas intocadas e agrestes não vemos alagamentos e se há uma quantidade excessiva de água retida, em um vale ou em uma depressão de terreno, esta é absorvida rapidamente pelo solo. Uma área arborizada absorve 95% da água das chuvas, em contrapartida o solo limpo aproveita, no máximo, 60% e, se pavimentado, a absorvência é zero.

Todo o mundo sabe que as chuvas são medidas em milímetros, mas é importante explicar como isto funciona. Quando o serviço meteorológico informa que choveu 1 mm, está noticiando que caiu 1 litro de água em 1 m², essa é a altura que a lâmina de água atingiria sobre o solo, se ele fosse plano e não tivesse escoamento. Temporais fortes, por vezes, produzem 70 mm.

Mas voltemos falar de árvores, é incrível a capacidade de absorver água que algumas espécies possuem. Uma sibipiruna ou um alfeneiro adultos consomem, em um dia de chuva, mais de cem litros. Entretanto aquelas que crescem naturalmente em terrenos brejosos ou alagadiços, como é o caso da magnólia-do-brejo (Talauma ovata) chegam a reter mais de quinhentos litros de água durante os torós de verão.

A seguir relacionamos as árvores mais indicadas, com a região de origem, para minimizar os efeitos de inundações causadas pelas pancadas de chuvas tropicais. Todas são aclimatadas no Rio de Janeiro.

Segue uma lista de espécies arbóreas, cultivadas no Rio de Janeiro que, por crescerem habitualmente em encostas, são indicadas para estabilizar taludes, evitando a erosão do solo. Algumas são indicadas para revestir voçorocas e suas adjacências, neste caso cabe assinalar que é inútil fechar um desmoronamento provocado pelas águas de chuva, colocando terra nas valas, pois essa argila será arrastada do mesmo modo que a anterior.
O correto é:

– Restaurar o revestimento vegetal do solo e propiciar o escoamento das águas mediante desvios.

– Criar renques de arbustos e árvores de modo a evitar a ação dos ventos, evitando a lixiviação erosiva das camadas mais expostas do solo.

– Preencher valas e buracos com camadas de capim seco e pedras.

Outras espécies de baixo porte devem ser usadas em associação com as que indicamos acima; exemplo: Crotalaria juncea (crotalaria), Cajanus cajan (feijão-guandu), Chrysopogon zizanioides (vetiver), Tecoma stans (ipê-de-jardim), Pyrostegia venusta (cipó-de-são-joão).

Muitas outras podem ser agregadas a esta lista, tentamos apenas colocar aquelas que, de alguma maneira, já utilizamos para este fim.

Algumas das espécies acima podem ser cultivadas em outras regiões, dependendo do relevo e de outros fatores.

Autor: Raul Cânovas

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