As andanças de Poivre e suas pimentas

Pierre Poivre (1719 – 1786) foi imortalizado por causa do steak au poivre, o famoso e delicioso filé com pimenta-do-reino


Steak au poivre

Filho de uma família de modestos comerciantes, torna-se missionário e viaja à China com a intenção de evangelizar nas cidades de Cantão e Macao. Com pouco poder de convicção religiosa retorna à França, mas sua alma de aventureiro é mais forte e embarca em um navio da Companhia Francesa das Índias Orientais, com destino a Jacarta, na época um importante centro de exploração de especiarias dominado pelos holandeses. No meio da viagem são atacados pelos ingleses, travando um feroz combate em alto mar. Na batalha Poivre perde o braço direito. Por fim chegando nessa cidade, a maior da Indonésia e capital do país, localizada na ilha de Java e que na época fora batizada de Batávia, teve a ideia de aclimatar a noz moscada e o cravo na ilha Maurício, que era controlada pelos franceses.


Pierre Poivre

De forma clandestina, já que os holandeses aplicavam a pena de morte aos contrabandistas de especiarias, leva 3000 mudas de noz moscada e de outras especiarias como canela e anis estrelado para lá e, também, para a ilha de Reunião, para as Ilhas Molucas e Timor.

Mais tarde, e já consagrado como autor do livro “As Viagens de um Filósofo”, é nomeado membro da nobreza pelo Rei Luís XV, torna-se correspondente da Academia de Ciências da França e em 1766 lhe é confiado o cargo de prefeito da Île de France, como era chamada a ilha Maurício pelos franceses. Lá cria o Jardim de Pamplemousses (Jardim dos grapefruits) onde aclimata plantas das regiões tropicais, transformando o local em um dos jardins botânicos mais importantes de sua época. Preocupado em disseminar, estende as experiências às ilhas Seychelles e à Guiana Francesa. Poderíamos afirmar que Poivre foi um dos pioneiros nas ciências ecológicas, impondo normas de manejo e preservando os recursos naturais.


Le jardin de Pamplemousses

Com mais de 10 alqueires, o Jardim de Pamplemousses oferece hoje um passeio incrível a seus visitantes, mostrando uma verdadeira explosão de espécies tropicais do mundo inteiro, nesta ilha paradisíaca localizada no Oceano Índico, com pouco mais de um milh&aatilde;o de habitantes e quase 14 vezes menor do que o Estado de Alagoas.

Não garanto que lá se coma um steak au poivre como no Restaurante La Casserole, em São Paulo, ou no Le Saint Honoré, no Rio de Janeiro. Mas vale a viagem para deslumbrar-se com os encantos da paisagem.

Autor: Raul Cânovas

 

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