Andorinhas

Dizem por aí que uma andorinha não faz o verão. Mas então de quantas andorinhas precisamos para compor nosso outono?


Andorinha-de-chaminé

Tão presentes até agora, especialmente na minha chaminé onde construíram ninhos simples, parecidos com um vaso sem gargalo feito de gravetos e cimentados nas paredes com o esterco dos cavalos do Seu Zé. Barulhentas, chilreiam esperando o macho que traz insetos para alimentá-las, enquanto a fêmea incuba os ovos. Depois que nascem seus três, quatro ou até cinco filhotes, os pais se revezam para buscar a comida que, sendo insetívoros, capturam em pleno voo.


Filhotes de andorinha

Dá gosto de vê-los voando em bando e salpicando o céu com um “ton sur ton” de azul cobalto, com suas caudas compridas e notadamente bifurcadas. Hoje se movimentaram rápido no ar como se estivessem executando uma coreografia. Acho que foi uma despedida antes de rumar em direção ao Norte, nem imagino o destino delas, talvez Europa, ou o Norte da África, sem sequer imaginar que agora não é o melhor lugar para descansar por lá. Pode ser o sul da Ásia, ou até América do Norte ou as regiões quentes da Austrália, enfim elas sabem muito bem o melhor lugar para, digamos, tirar uma espécie de férias.

Elas, que são chamadas também de andorinhas-de-bando porque concentram-se aos milhares em revoadas organizadas, voam mais de 500 km por dia.

Sei que amanhã o céu ficará vazio delas, olharei para cima e as que eram tantas estarão longe, eu com minha saudade, e as andorinhas ao compasso de uma sinfonia que só elas ouvem.

Não me importo… espero por vocês na próxima primavera.

Autor: Raul Cânovas
 

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