Curiosidades

O incrível colorido das sapucaias

Nestes meses de primavera as floradas são abundantes, mas a singularidade do Lecythis pisonis, como é classificada cientificamente, é realmente notável


Sapucaia (Lecythis pisonis)


Em outubro, nas matas úmidas e densas, desde o Ceará ao Rio de Janeiro, sua brotação cor de rosa se mistura com as flores roxo-violáceas transformando sua copa globosa e densa em um gigantesco buquê ton sur ton. Destaca-se na Zona da Mata e às margens dos rios São Francisco, Jaguaribe, Piranhas-Açú, Capibaribe, Acaraú, Curimataú, Mundaú, Paraíba, Itapecuru, Mearim e Una, na regão nordeste e nos rios Doce, Itapemirim, Itaúnas, Jucu, São Mateus, Paraíba do Sul e Itabapoana, no Espirito Santo e Rio de Janeiro, entre outros.
 

O show, que a natureza dá dura até o final deste mês e em novembro, já sem flores, a folhagem mostra-se verde misturando-se de forma discreta com as outras árvores. A caçamba-do-mato, como também é conhecida, pertence a família das lecitidáceas, como o jequitibá e a castanha-do-p...

24 de outubro de 2011

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Curiosidades

A feijoa

Classificada pelos botânicos como nome de Acca sellowiana e conhecida também pelos nomes de goiaba-serrana ou goiaba-ananás, é uma espécie ornamental que oferece frutos saborosos


Acca sellowiana

 

Em 1890 um francês, Edward André, levou à Europa uma muda desta arvoreta para cultivá-la na Riviera francesa, no litoral sul da França. Em pouco tempo, as plantações se espalharam pelo Mediterrâneo, sendo levada, mais tarde, à Crimeia e a Geórgia, países encostados ao Mar Negro e ao Azerbaidjão, vizinho deste último. A planta, da família das mirtáceas como a jabuticabeira, é cultivada por lá há mais de setenta anos, graças ao clima favorável, com invernos frios, mas sem neve e verões bastante quentes. Situação muito parecida com as serras gaúchas, os pampas uruguaios e o norte argentino.

 

 

Otto KarlBerg , um botânico alemão, batizou o gênero honrando o naturalista luso-brasileiro João da Silva Feijó. Durante o período em que morou no Ceará, Feijó foi encarregado pela coroa port...

13 de outubro de 2011

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Curiosidades

Erva-de-passarinho

Doentiamente na sua ardorosa paixão, ama ao extremo e, deixando de viver por si, torna-se parasita da árvore hospedeira, escravizando-a até a morte


Erva-de-passarinho (Phoradendron affine)

A natureza às vezes é estranha ou, pelo menos para mim, incompreensível. Há na sua essência a liberdade, no entanto alguns indivíduos, como é o caso da erva-de-passarinho, prefere depender de alguma árvore, ou de um arbusto qualquer, para viver. Viver sugando, como verdadeira vampira vegetal, a seiva que aquelas produzem e que, depois de alguns anos, exaustas, não conseguem suprir suas próprias necessidades e, por falta desse líquido nutritivo que antes circulava vigorosamente, impulsionado pelas raízes para toda a planta, definham até secarem totalmente, morrendo por fim.


Ipês infestados pela erva-de-passarinho

Os gaturamos, também chamados de bonitos ou tietes (Tanagra violacea) e as tesourinhas-do-campo (Tyrannus savana) comem os frutos da erva-de-passarinho, ingerindo as sementes que,...

05 de setembro de 2011

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Crônica

Vegetação subespontânea

Temos, no nosso país, plantas nativas e exóticas, mas há as que ao longo dos anos adquiriram uma espécie de cidadania


Carmen Miranda e as bananas

As plantas subespontâneas são aquelas que, oriundas de terras distantes, se instalam em uma região ou país sem a interferência deliberada do homem. As nativas, sabemos, são aquelas que desde sempre fizeram parte de um bioma, crescendo e mantendo as características que lhes permitem colonizar grandes extensões de terreno, como o emblemático pau-brasil, a goiaba e a mandioca. As exóticas, pelo contrário, são as estrangeiras, plantas que não fazem parte de colônias vegetais indígenas, como o fícus benjamina, a uva e o bambu-mossô.


O lírio-do-brejo, tão brasileiro, porém vindo de fora

Já as subespontâneas confundem-se, muitas vezes, com as nativas por fazer parte da paisagem e dos hábitos regionais ou nacionais. As citações para estes casos são inúmeras, entretanto algumas parecem-me perfeitas para mostrar como se naturalizaram ao pont...

03 de junho de 2011

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Para Pensar

A harmonia diversificando espécies

Nas décadas recentes uma prática tornou-se usual entre os paisagistas. Prefiro não chamá-la de tendência e sim de macete para poupar tempo na escolha e combinação de espécies. Não tem sentido repetir a mesma planta formando uma sucessão de indivíduos que se prolonga metros e mais metros sem variação de alturas, formas e nuances.


Oferecer emoções

A paisagem criada, independente do estilo a ser praticado, deve romper com a monotonia, com as linhas retas da arquitetura e com a frieza das cidades do século XXI. Ela deve conter emoção, espontaneidade e naturalidade, e para lograr isto deve variar, surpreendendo quem a contempla com combinações harmônicas recheadas de cenas onde as plantas, como personagens de uma peça, desempenhem um papel predeterminado.


Balé

Teremos aquela relevante, que carregará a repesabilidade maior nas atenções e as coadjuvantes, que lhe darão apoio. Quanto maior a complexidade de características e atitudes, maior será o envolvimento. Como em uma dança, e...

27 de maio de 2011

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Dicas

Flores no Outono

Delicados estes meses em que as águas do rio me mostram o céu


Alcea rosea

 

Vejo como as púrpuras e os anis brilham mais e os dourados de todas as pétalas se empanturram de luz. Ouço o início do soneto de “As Quatro Estações” de Vivaldi, onde ele escreve no Allegro de Outono "celebra o aldeão com danças e cantos..." e penso nesta estação como nesse andamento musical, leve e ligeiro, que o músico veneziano nos legou.


Delphinium elatium

Mais ainda, meu outono está impregnado de um Tom Jobim que diz "são as águas de março fechando o verão, é a promessa de vida no teu coração". Sim Tom, e nele não há crepúsculos, apenas as garoas que alimentam meu jardim, para que floresçam as malvas-rosa, as flores-de-cetim, as esporinhas, as onze-horas e todo tipo de prímulas.


Portulaca grandiflora

Algumas árvores atrevidas se desnudam para mostrar-me suas flores e me deixam ansioso pensando nas loucuras que inventarão no inverno.


Primula x polyantha

Quem sabe alguém se alegre ao ver ...

19 de maio de 2011

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Pessach: a Páscoa Judaica

Há muito tempo um amigo, que lamento ter perdido de vista, me presenteou com uma lista de plantas que constavam na Bíblia e no Mishnah.


Mishnah

O Mishnah é a primeira parte do Talmud, uma codificação da lei oral do Velho Testamento e das leis civis e políticas dos judeus. Foi escrito em hebraico, mas contém um grande número de palavras em aramaico e grego.


Lavandula officinalis

 

Li e reli essa relação inúmeras vezes, comprovando a veracidade das informações e até acrescentando alguma coisa que esclarecesse melhor a nomenclatura botânica e os nomes pelos quais essas espécies vegetais são conhecidos popularmente, aqui no Brasil.


Cedrus libani


Narciso-polianto

Achei que publicá-la poderia seduzir a aqueles que como eu são interessados pela historia das religiões e a celebração de Pessach, uma tradição de mais de 3500 anos que simboliza a passagem. Me pareceu o momento oportuno.


Lilium candidum
 

Chag Pessach Sameach (Feliz Páscoa, em hebraico) e ...

18 de abril de 2011

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Dicas

Árvores para a região litorânea do sul do Brasil



Mimosa bimucronata

Nas restingas e mangues do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande Do Sul vegetam espécies que merecem mais divulgação entre os paisagistas. Por sugestão de Sonja Boechat, professora aposentada do Departamento de Botânica da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), vou citar algumas:

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NOME BOTÂNICO NOME POPULAR
Alchornea glandulosa tanheiro
Alchornea triplinervia pau-jangada
Annona glabra araticum-da-praia
Aspidosperma parvifolium guatambu-oliva
Bactris setosa palmeira-coco-de-natal
Blepharocalyx salicifolius murta
21 de janeiro de 2011

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