Crônica
Sim, me conta de você, como é que se sente frente a esse crescimento todo?
Como são suas horas, seus dias, esse cotidiano marcado por uma contemporaneidade, às vezes, impiedosa, que te obriga a deixar para trás tantas tradições? Olho teu mar pintado de esmeraldas e, por um momento, esqueço do prédio cinza que me aperta, da buzina dos carros e do cheiro peculiar de teu lixo diário. Imagino, quando contemplo essa imensidão que se agita além do horizonte, como era teu contorno antes dos homens construírem a cidade. Como, recifenhamente, as ondas chegavam até tuas praias para descansar ao sol. E a brisa, sempre em viajem, correndo sob as copas das árvores refrescando ímpetos, que letargiavam nas tardes de novembro.

Sem pressa, você fabricava paisagens com uma porção de verdes que não vejo mais. Ficaram apagados pela borracha impiedosa, feita de cinzentos aços e cimentos. Fala Recife, quero ouvir tua voz terrosa com gosto de cajueiro. Sou todo ouvidos de teus lamentos, porque compree...
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21 de novembro de 2011
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Crônica
O título, à primeira vista, parece um pouco vaidoso. Mas não temam. Não há arrogância alguma, apenas quarenta anos de convivência com uma cidade que apreendi a amar e que me adotou como se fosse seu legítimo filho.

Avenida Paulista (vista do alto)
Em princípio pensei no Rio de Janeiro, como destino das minhas ilusões. Lá poderia trabalhar junto com Roberto Burle Marx, ir à praia, frequentar o Bar Luiz, na Rua da Assembléia, passear no Parque Lage, ou simplesmente beber um chope no antigo bar Veloso — que hoje se chama Garota de Ipanema. Entretanto escolhi São Paulo. Isto não parecia coerente, já que ninguém me convidara para trabalhar naquilo que estava pautado na minha vida e que era desenhar jardins.
Na época a cidade tinha 3,7 milhões habitantes, o MASP era inaugurado, enquanto o último bonde deixava de circular, e um ex-diretor da Associação Comercial de São Paulo, Paulo Maluf, era nomeado para a Prefeitura de São Paulo, pelo governador Abreu Sodré. Quase em seguida deu-...
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24 de janeiro de 2011
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Para Pensar
Ataulfo Alves, retratado pelo cartunista J. Bosco na figura ao lado, escreveu:
As árvores morrem de pé
Sua vontade é me ver caído no chão
Mas não caio não
Porque tenho meu guia de fé
Sou uma árvore
Morro mas morro em pé
Prá seu governo
Ouve-me bem Januário
Você não pode ensinar
Padre- nosso ao vigário
Bom remador
Rema em qualquer maré
Sou uma árvore
Morro, mas morro em pé.
Seria bom que elas continuassem a morrer de pé, como escreveu o sambista em 1965, inspirado, talvez, na peça homônima do dramaturgo espanhol Alejandro Casona, “Los árboles mueren de pie”, estreada em Buenos Aires, em 1949. Mas, infelizmente, as árvores sofrem uma série de agressões, no ambiente urbano, que encurtam a expectativa de vida de modo drástico, afetando assim a vida dos habitantes das cidades mais populosas e densamente habitadas.
OS MOTIVOS
1. PLANEJAMENTO
As causas da senescência, que é o processo natural de envelhecimento, são precoces nos centros urbanos devid...
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29 de dezembro de 2010
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Para Pensar
São Paulo

Em São Paulo, a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, comunicou que quatro novas subprefeituras estarão, a partir deste mês, mapeando as condições fitossanitárias das árvores paulistanas. Agora em outubro, 29 subprefeituras colocarão equipes treinadas que fiscalizarão cerca de 80 ruas e avenidas das quais foram cadastradas mais de cinco mil espécies de crescimento arbóreo. Segundo informações do órgão da prefeitura, as operações visarão: podas, transplantes, reformas de canteiros, entre outras atividades.
Cabe destacar que, nos últimos dias, uma árvore de grande porte cujo tronco estava oco caiu sobre um veículo, na Avenida Lineu de Paula Machado, imediações do Jockey Club. No veículo, estavam duas pessoas. Felizmente, apesar do susto, nada de mais grave aconteceu com elas.
Na segunda-feira, 18, uma outra árvore caiu na Avenida Washington Luís, afetando três carros e danificando a fiação elétrica. O fornecimento de energia na região também foi preju...
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25 de outubro de 2010
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Para Pensar
A Prefeitura de São Paulo vai gastar grande parte de uma verba de R$ 15 milhões em plantinhas floríferas, reavivando parte do projeto da administração anterior. O que você acha?

Preciso dar minha opinião. Se dois terços desse montante fossem usados no plantio de árvores, disporíamos de R$ 10 milhões. O preço de uma muda com 2,20 metros de altura gira em torno de R$ 20,00. Somando a esse valor os gastos com transporte, adubação, tutoramento e a mão de obra para o plantio — abrangendo o acompanhamento técnico — o valor final não ultrapassaria R$ 35,00 por árvore plantada.
Pois é, a verba daria para 285 mil mudas. Não vão pensar que não gosto de agapantos ou de margaridinhas. É obvio que canteiros multicoloridos trazem alegria ao município, entretanto, e sempre existe um entretanto, o beneficio das espécies arbóreas é infinitamente maior. Vejam se não:
— Removem parte do monóxido de carbono e absorvem poluentes (140 kg de poeiras ao ano, em media, é o que absorve uma árvor...
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19 de agosto de 2010
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