
Tenha paciência, não me interrompa. Para contar esta minha história, preciso viajar no tempo, dar um imaginário salto, um pulo de ré, que me faça cair onde tudo se originou para dizer: “Era uma vez...” ou “Em tempos remotos...”.
Sim, seria um bom começo se eu não fosse uma árvore. Os humanos, a bicharada e até os seres mitológicos começam suas narrativas deste modo. Prefiro optar por uma forma mais vegetal, imaginando-me talvez um rebento a desabrochar suas próprias sensações.
Quero que sintam comigo essa insegurança que vivenciei, quando uma ventania me soprou no meio de um temporal estrondoso. Imaginem o que é voar sem asas, presa numa nuvem insensata e desvairada que, enceguecida, me libertou no meio do nada. Nada a contemplar e, depois da tempestade, nenhum barulho, apenas quietude e solidão.
Estava aí sozinha no meu minúsculo mundo que se resumia a um insignificante caroço, quando um incontrolável impulso fez com que desgarrasse a pele protetora, para poder soltar minha p...







