Crônica
Vivia no Vale do Draa, no sul de Marrocos. Do mesmo modo que seus ancestrais, 6.000 anos a. C.
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Oásis de tamareiras em Draa
Seu orgulho era o de pertencer ao povo berber, ser um amazigh, isto é, um homem livre, como pode ser traduzida esta palavra que encerra um conceito muito amplo numa das línguas dos berberes. Jactava-se de ter no seu quintal as mais lindas tamareiras que alguém poderia imaginar. Não que ele as comparasse com outras crescendo em regiões distantes do Al-Magreb, já que nunca seu camelo o levaria para longe, mas os tuaregues, que ocasionalmente passavam com suas caravanas pelo vilarejo, elogiavam os frutos dessas palmeiras que, como ele próprio falava tinham “os pés no barro e a cabeça no fogo” referindo-se ao fato de crescerem graças à umidade fornecida pelo Rio Draa, suportando o sol calcinante das tardes, quando a temperatura alcançava 50° à sombra. Realmente essas tamareiras eram especiais. Há mais de trezentas variedades de Phoenix dactylifera, entretanto...
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Draa
29 de setembro de 2011
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Crônica
O cotidiano, aquilo que é repetido sempre do mesmo modo, não é estilo de vida para um criativo

Campos de arroz em Bali
Às vezes é necessário esquecer as trilhas diárias, apagar o roteiro que nos empurra para os mesmos cantos, as mesmas estações, como em uma Via Crucis. Sempre tive medo do previsível, por isso passei uma vida andando por caminhos longos e pelos campos e as matas onde eles nem existiam. Rejeitei atalhos por serem prováveis e econômicos, precisava ser um perdulário que não economizava paisagens a serem estreadas. Gastei... gastei? Não, acumulei os resultados da minha travessia, enchi meu cofre com as lembranças dos capins patagônicos, sempre tão agitados pelo vento que nunca dorme. Coloquei dentro dele a memória dos campos de arroz balineses, salpicados aqui e acolá pelos lótus. Pus os perfumes das lavandas que cheirei na Provence. Sim, enriqueci, enchi minhas burras de sentimentos desiguais, eles são melhores que as rotinas inalteradas onde tudo já foi semeado p...
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12 de agosto de 2011
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Para Pensar
Por que as folhas caem?

No Alcorão, o livro sagrado do islamismo, relata se que Israel procurou a Terra de Sete Cores, para criar o primeiro homem; mas a Terra, talvez temerosa de esgotar se fornecendo indefinidamente a matéria prima para dar a vida e a forma de novas mulheres e novos homens, procurou Alá, e pediu, com humildade, em tom de súplica, que lhe fosse devolvida essa substancia, essa argila que servia para uma existência temporal, na hora da morte.
Alá, infinitamente justo, determinou então que, a partir desse momento, os corpos dos mortos deveriam ser enterrados e pediu a Israfel para ficar ao lado de seu trono, eliminando, da árvore do mundo, as folhas onde estão escritos os nomes dos que devem morrer.
É por isso que as folhas das árvores caem.
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29 de janeiro de 2010
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