Crônica

Um Réveillon na Floresta

Hoje, último dia de um ano exaurido, contemplo em plena quinta-feira a multidão andando pelas ruas, como se fosse sábado, aliás, nos últimos anos tenho percebido que as pessoas se comportam de uma maneira engraçada, quase de modo infantil nesta data, até parece que a glândula supra-renal produz um hormônio diferente. Não é bem adrenalina é um principio ativo, mais ativo e efusivo que se apresenta a caráter, produzindo trinos e bramidos. Há uma energia, uma força, algo difícil de mensurar que obriga a sorrir e brindar. É como se todos os anos um operário divino fosse incumbido de dar uma mão de verniz, contendo essências vitais que recobram e remoçam.
Esta pincelada cósmica que nos atinge cobre também a padaria da esquina, os carros e o som de suas buzinas, e ajudada pela brisa que alcança a floresta onde sutilmente da um banho em cada uma das folhas, espirrando vigor também nas cascas, que como esponjas absorvem, para embriagar flores e frutos.


Perto de onde eu moro, uma primave...

31 de dezembro de 2009

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