Crônica

Ano novo, vida nova

 Será mesmo? É possível que a troca do calendário traga mudanças ao nosso cotidiano?

Todo final de ano é a mesma coisa, desejamos aos outros doze meses de bonança e nos cobramos atitudes que, supostamente, vão fazer que pareçamos melhores perante os demais. Recorremos às frases feitas desejando que todo o mundo seja feliz. Todo o mundo mesmo! Enviamos e recebemos cartões e mensagens eletrônicas com as mais grandiosas frases, de modo indiscriminado e, na maioria das vezes, impensado.

Sei que caberia um recado jubiloso nestes últimos dias do ano, mas sei também que precisamos começar 2012 de forma sincera, manifestando emoções verdadeiras. Se pretendermos uma virada, uma nova vida, que tal ambicionar a franqueza naquilo que manifestamos e também, claro, em tudo que almejarmos para nós mesmos?

A boa educação manda que, diplomaticamente, usemos de cortesia com todos aqueles que nos são próximos. No entanto pertencemos a uma geração com inter-relacionamentos intensos, onde vizinhos,...

30 de dezembro de 2011

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Crônica

Felicidade

 Nos últimos dias recebemos tantas mensagens... tantas! Algumas de leitores, de amigos muito próximos, outras lindas de seguidores e até de pessoas afeiçoadas, quase almas-gêmeas.

Vi que, em todas, a palavra felicidade estava impressa e me perguntei: por que todo o mundo deseja isto? Por que desse anseio de satisfação plena?

Busquei as respostas no meu jardim e para “ouvi-lo” fiquei contemplando o canto mais agreste dele, um espaço onde tudo crescia livremente e de forma quase casual. Percebi que as plantas sentiam o prazer da liberdade imprudente; aquela que não precisa dos mitos que amargam a existência. Impunemente soltavam folhas e mais folhas de modo inconsequente e, mesmo assim, o equilíbrio dos verdes era como se bastasse a doutrina da alegria, recheada de beneplácito e volúpia. Era evidente que pouco ligavam com aparências, estavam jubilosas por dentro, ocupadas em sentir a seiva fluir nas suas entranhas.

Seria fácil evitar o sofrimento? Alcançar as metas e a auto-suf...

23 de dezembro de 2011

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Crônica

Um Natal enfeitado de ilusões

Hoje é véspera de Natal. Dia de nos encontrarmos com aqueles que são especiais para trocar não só presentes mas também carinho e amor. Para celebrar a data, Raul Cânovas nos presentou com uma bela crônica de Natal. Feliz Natal, amigos!

Lá estava ele mais uma vez, no meio do jardim, cercado pelas caixas de enfeites que acumularam um fino pó, enquanto esperaram no sótão por mais um dezembro. Tinha um pouco de tudo: bolas coloridas e brilhantes, penduricalhos que pareciam feitos com cetim, adornos chineses e até fitas metalizadas que cuidadosamente enroladas resistiam ano após ano o solene ofício de decorar o pinheiro de natal, permanecendo tão bem conservadas que sempre pareciam estreantes.
Já ia pegar a escada (o pinheiro tinha crescido muito), quando ouviu uma voz aguda e penetrante que parecia surgir do nada perguntando:
- O que você fez de janeiro para cá, além de esperar pela chuva?
Uma outra voz menos estridente respondeu:
- Aguardei o dissolvimento das nuvens, porque nã...

24 de dezembro de 2009

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