Para Pensar

À procura do jardim ideal

Qual o paisagista que não sonhou, em algum momento, criar uma paisagem sem defeitos?


Campo de trigo, Valle de Amblés, Ávila, Espanha (Crédito a Ximénex)
 

 

Um cantinho ou um amplo espaço de terra que encerre a perfeição daquilo que a natureza nos oferece, completando a necessidade de sentir-nos felizes? Mas como fazer isto, como imaginar o jardim perfeito se ainda não sabemos, exatamente, como engendrar contentamentos simples que alimentem nosso bem-estar? Tornamos-nos especialistas na procura de informações, de conhecimentos e de qualquer referência que alimente nossos currículos e enfeite a parede de diplomas e certificados. Mas o que sabemos sobre nós mesmos? Sobre nossas vontades genuínas? Como podemos sonhar com um jardim esplêndido se não vislumbramos nosso próprio esplendor, aquele brilho puro que carregávamos quando partimos do útero para aventurarmos na vida?


Estado-fonte nos jardins do Monte Palace (Créditos a Allie_Caulfield)


Fomos moldados para parti...

10 de outubro de 2011

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Dicas

As escadas no jardim

Quando a topografia do terreno não é plana as sequências de degraus, interrompidos por patamares, salvam distâncias

 

Mas não é só, raramente é levado em conta o aspecto simbólico delas. Seu desenho não está restrito à função de ligar ambientes externos. Se fosse apenas isto sua importância teria um benefício passageiro, seu mérito estaria restrito a encurtar ou resolver uma situação topográfica e, quando é vista desse modo, observamos o lado arquitetônico que envolve as lâminas horizontais ou pisadas e o espelho dos degraus que ficam verticalmente posicionados, unicamente isto.

Por esse motivo quero ver as escadas como elementos simpáticos que nos obrigam a prestar atenção redobrada a cada passo que damos. Em cada degrau o panorama do contorno muda de repente, revelando elementos novos ou fazendo desaparecer imagens que, segundos atrás, eram nítidas. Isto, especialmente, quando desenhadas de forma a serpentear o terreno, criando curvas, ora para direita, ora para a esquerda ...

30 de setembro de 2011

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Crônica

A habilidade atávica de espelhar a paisagem

Sinto que o homem está recuperando o dom de retratar o que sempre percebeu na natureza


Helicônia

Desde sempre mulheres e homens reproduziram as formas, as cores, enfim, o jeito das coisas que viam nas cercanias de seu cotidiano. Pintavam animais nas paredes das cavernas, imitavam os modos que estes usavam para sobreviver e traziam para perto as plantas necessárias à sua alimentação e à cura de suas doenças. Mas o atavismo tem isto, há um período de esquecimento dos deveres e características genéticas.


Pintura rupestre

Enquanto os povos primitivos eram genuínos nas suas convicções e costumes, a partir do Renascimento houve uma necessidade de sofisticar a estética do agreste roubando-lhe a sua naturalidade. O próprio Leonardo da Vinci, referindo-se à singeleza das formas perdidas, diz: “A simplicidade é o último grau de sofisticação”. Isto foi nas últimas décadas do chamado Quattrocento, na Alta Renascença. O mundo começou a sentir a necessidade de impor o formal sobre o bucól...

29 de agosto de 2011

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Crônica

O lado oculto do jardim

Realmente conhecemos cada canto, cada planta que palpita, a seu modo claro, nesse espaço que contemplamos hoje da nossa janela?

 

Para escolher melhor as árvores e os arbustos que irão crescer e viver no nosso jardim é interessante conhecer suas facetas, suas características, quem sabe, também seus mistérios acumulados ao longo de histórias recheadas de lendas e de magia. Imagine a evolução de uma simples roseira, pense como foi se acomodando neste mundo nesses 200 milhões de anos de existência. Um tempo e tanto se comparado a nossa própria existência que se resume a apenas 500 mil anos bem vividos. As rosáceas, agrupadas em 95 gêneros botânicos, foram se transformando, na medida em que evoluíam e precisaram adequar-se a situações diferentes. Algumas ficavam atarracadas, outras robustas e outras tantas se agarravam nas árvores procurando estar mais perto do sol.

Isto não aconteceu apenas com as rosas, mas com todas as plantas do nosso jardim, que foram se acomodando neste pla...

09 de junho de 2011

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Dicas

Flores no Outono

Delicados estes meses em que as águas do rio me mostram o céu


Alcea rosea

 

Vejo como as púrpuras e os anis brilham mais e os dourados de todas as pétalas se empanturram de luz. Ouço o início do soneto de “As Quatro Estações” de Vivaldi, onde ele escreve no Allegro de Outono "celebra o aldeão com danças e cantos..." e penso nesta estação como nesse andamento musical, leve e ligeiro, que o músico veneziano nos legou.


Delphinium elatium

Mais ainda, meu outono está impregnado de um Tom Jobim que diz "são as águas de março fechando o verão, é a promessa de vida no teu coração". Sim Tom, e nele não há crepúsculos, apenas as garoas que alimentam meu jardim, para que floresçam as malvas-rosa, as flores-de-cetim, as esporinhas, as onze-horas e todo tipo de prímulas.


Portulaca grandiflora

Algumas árvores atrevidas se desnudam para mostrar-me suas flores e me deixam ansioso pensando nas loucuras que inventarão no inverno.


Primula x polyantha

Quem sabe alguém se alegre ao ver ...

19 de maio de 2011

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Para Pensar

Os jardins do aeroporto de Cingapura

Changi foi escolhido o Aeroporto do Ano, além do título de melhor do mundo em áreas de lazer, de 2010

 

Em contrapartida, por aqui, continuamos de cabeça quente por causa da nossa infraestrutura aeroportuária, especialmente se considerarmos os eventos esportivos de 2014 e 2016, a Copa do Mundo e as Olimpíadas respectivamente, que aumentarão o fluxo de passageiros nos terminais brasileiros. No ano passado os dois maiores aeroportos do país, Guarulhos e Congonhas, em SP, somaram mais de 42 milhões de passageiros, com um crescimento de 23,22% em relação a 2009. Na mesma pesquisa, Guarulhos foi o mais bem avaliado, ficando na posição 121° entre os 215 aeroportos internacionais avaliados. Nem imagino qual será o aumento de utilização nos próximos anos, em especial nas épocas em que o Brasil será sede dessas competições.

E como comparar faz parte da natureza humana, não posso evitar o confronto entre os serviços prestados por aqui e aqueles que são oferecidos lá fora, para aqueles qu...

18 de maio de 2011

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Dicas

Um espelho d'água no jardim

O tamanho não tem muita importância. Ele deve ser tão grande quanto seus sonhos

 

Antes de fazer nada precisamos soltar a imaginação, sentir a grandeza das nossas vontades, daquilo que queremos, e não apenas do que necessitamos. O jardim não figura na “cesta básica” da sobrevivência, por este motivo prefiro falar em caprichos motivados pelo prazer e não naquilo que consideramos essencial à resistência humana.

Sonhar é tão bom! Que seria de nós se Sir Timothy John Berners-Lee não tivesse imaginado a Internet há vinte anos, ou se Levi Strauss não usasse uns rolos de lona para fazer um jeans, o primeiro Levi’s, ou sem a lâmpada elétrica inventada por Edison? Pois é, esses inventores eram fundamentalmente sonhadores, não sentaram na frente de uma mesa e começaram a desenhar suas descobertas. Primeiro delinearam nas suas mentes um montão de fantasias, absurdas algumas, até saber exatamente o que queriam.

É desta maneira que o espelho d’água deve ser visto. O lago não é somente uma ...

05 de maio de 2011

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Crônica

O jardineiro bem equipado

Como é possível manter um jardim com ferramentas rudimentares e mal conservadas?

Lembro que, há 20 ou 30 anos, era normal assistir um bando de jardineiros maltrapilhos, armados de alfanjes e tesourões de poda, dando “um trato” no jardim. Assim que desciam daquela perua gasta e com aposentadoria adiada, dividiam as tarefas: enquanto uns cortavam a grama, outros podavam a cerca e os arbustos. Outro, especializado em canteiros, afofava a terra com um pauzinho (geralmente um toco de cabo de vassoura). Ah, tinha também aquele que varria as aparas e restos de poda com uma vassoura meio detonada e o que fumava um cigarro... geralmente na companhia de um colega que, claro, também fumava.


"Jardineiros" trabalhando

Levavam dias para terminar a empreitada, irritando o contratante que reclamava porque os serviços não tinham ficado do jeito que ele imaginara, não pagava ou pedia um abatimento no valor estipulado e, o pior, não queria voltar a ver a cara dos jardineiros. Era um sufoco!

...
03 de maio de 2011

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