Crônica

Mudança de Hábitos

Por Raul Cânovas

Lembro que quando brincávamos na casa do Adolfo, seu avô ficava absorto, quase desligado deste mundo. De lupa de aumento na mão esquerda e uma pinça na destra, ordenava minuciosamente sua coleção de selos com a convicção de que nunca acabaria de fazê-lo. E na realidade isto era perfeito por que, dessa maneira, o passatempo se convertia em algo perpétuo, como também perpétua era a felicidade do senhor Dagoberto, que decidia apostar na filatelia seus últimos anos de existência.

Bem, isto foi há bastante tempo, era uma época em que as pessoas trabalhavam com o corpo, suavam, se andava muito mais a pé que hoje; os mais velhos devem lembrar que para trocar de canal, na TV, tinham que levantar da poltrona e ir até o aparelho, não existia controle remoto; também não tinha vidro elétrico no carro, nem presto barba, frango congelado no supermercado, nem pensar, mesmo porque os supermercados eram escassos.

Então a vida era cansativa, o estresse não tinha sido inventado...

19 de agosto de 2009

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