Nesta crônica, Raul Cânovas questiona o uso de plantas para ambientes internos. Será a estética mais importante que a saúde das plantas?

Sei que, aparentemente, há um contra-senso quando fico exasperado, deparando-me com tantas plantas nos ambientes internos; para alguns decoradores pode parecer um absurdo que um paisagista não defenda a fartura do “verde” na decoração. Mas será que a superabundância tem alguma coisa a ver com graça e elegância? Se considerarmos a delicadeza de expressão um resultado do bom gosto, seguramente não.
Por outra parte, como justificar a captura de um indefeso bambu-mossô sendo trancafiado para sempre dentro de um cachepô? Você acha lindo? Acha mesmo? Então me permita ser intérprete desse Phyllostachys pubescens como, pomposamente, é conhecido pelos botânicos. Assim que encostado em um canto do ambiente, ao lado de uma autêntica poltrona Barcelona, a planta fica estremecida ao perceber que as paredes e um forro de gesso limitam sua existência; mais ...







