Crônica
Todos nós, ricos ou pobres, velhos ou jovens, temos nossas próprias fantasias e ilusões e elas perambulam pelas trilhas imaginárias dos nossos pensamentos

Às vezes são sonhos eróticos, outras, visões opulentas de riqueza, ou aspirações de poder. De uma forma ou de outra, sempre estamos alimentando desejos de mudar e até, quem sabe, aparecer como por milagre naquele paraíso utópico, que bem poderia ser o próprio Jardim do Éden.
Já pensou em ter um jardim secreto...? Um espaço silencioso e misterioso, desconhecido do mundo, um lugar recôndito que fosse só seu, protegido por uma cerca inacessível, às vezes grávida de pétalas à desabrochar, outras quieta e esmorecida em sua verde languidez?
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30 de julho de 2010
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Planta da Semana - Árvores

Não, não é um concurso para eleger a mulher que deu à luz mais filhos, nem a mais desvelada, nem sequer a genitora perfeita. Hoje preciso e quero venerar aquela de cujo útero surgiu à própria vida: A PACHAMAMA.
Os aymarás, os quéchuas e outros povos das regiões andinas do Equador, Peru, Bolívia e noroeste da Argentina, acreditam que esta divindade, que os protege e gera toda forma de vida, é a Pachamama. Ela, e só ela, promove a fertilidade e a fecundidade da terra, verdadeiro inicio de tudo aquilo que palpita neste planeta.
As nações primitivas atribuíam a suas deusas o milagre de engendrar a existência das coisas e dos seres vivos. Os astecas batizaram a Mãe-Terra de Teteoinnan, dela nasceram todos os deuses, inclusive Xochiquetzal (flor bela), uma Mãe-Terra jovem que regia o amor e a gravidez e que era representada no meio de flores, no México Central. Na religião Puebla, entre os índios do sudeste norte-americano, os Kachinas eram seres divinos que atendiam as súplicas dos n...
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07 de maio de 2010
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Crônica

Tem dias que amanhecemos um pouco menos afobados do que habitualmente e por isso, talvez, mais pensativos, mais reflexivos.
Enquanto tomava meu café da manhã, senti a falta daqueles barulhos rotineiros, que pontualmente invadem nossa intimidade para lembrar-nos que temos que abandonar a sonolência e que é hora de pegar no batente, por isso, acordei mais lentamente e também por isso, quem sabe, lembrei de uma estória estranha que o tio de um amigo meu, nos contara quando ainda éramos crianças.
Era um dia como o de hoje, meio parado, e aproveitando que não tínhamos aulas na escola o Rafa, eu e outros colegas, brincávamos de “sisudo” no jardim da casa dele. Não sei se vocês lembram, mas o “jogo do sisudo” era aquele em que os participantes deveriam ficar sérios e em silêncio, até que alguém risse ou falasse, e como punição o garoto tinha que pagar uma prenda. Era muito legal, mas nesse dia foi muito melhor, porque tivemos a “canja” do tio do Rafa. Aproveitando a brincadeira de ...
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07 de maio de 2010
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Crônica
por Raul Cânovas

Foto: Theophilos.
Fiquei sabendo que hoje teremos uma festa no jardim. As plantas mais exuberantes, as flores mais viçosas e as composições mais inspiradas são as convidadas deste banquete bucólico, regado com os orvalhos das melhores safras. Neste meio tempo, fui alertado por uma comissão de beija-flores, que neste mesmo jardim, seria celebrada uma outra comemoração, homenageando uma árvore muito querida.
O líder da revoada que, aliás, era o mais colorido de todos me sussurrou, minuciosamente, os preparativos comandados por um azulão e uma coruja, que se revezavam dia após dia e noite após noite para aprontar esse que seria o maior de todos os festejos. O pássaro azul alertava para que todas as flores se unissem em braçadas coloridas e instruía centenas de borboletas para que, juntas, formassem uma boana de reflexos luminosos, também tentava convencer uma araponga a martelar apenas no início do evento e silenciar em seguida, para não atrapalhar; já no início...
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05 de maio de 2010
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Foto: Ahp Ibanez.
Em um lugar misterioso da terceira dimensão existe um enigmático jardim. Ele é a soma de todos os jardins, a história da paisagem recriada em um único espaço. Nele trabalham os iniciados de todas as eras e de todas as regiões, mulheres e homens que desvendaram todos os segredos que os deuses escondiam.
Esses mestres jardineiros - me atrevo a chamá-los desse modo, com a intenção apenas de dar-lhes um nome - carregavam atavicamente o valor cultural da terra que tinham habitado. Iori que podemos traduzir como “flor adorada” falava o Hana-Kotoba a linguagem japonesa das flores. Ele era o encarregado dos canteiros, onde, às vezes alegres, às vezes melancólicas, ervas miudinhas fabricavam pétalas perfeitas. Iori as impregnava de poesia como se escrevesse sonetos que brotavam do fundo de seu peito.
O que regia as árvores possuía um currículo, que revelava trabalhos divinos pelos bosques do mundo. Ter servido a deusa Asherah, no Sinai, lhe ensinou o conceito da abund...
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28 de abril de 2010
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Tenha paciência, não me interrompa. Para contar esta minha história, preciso viajar no tempo, dar um imaginário salto, um pulo de ré, que me faça cair onde tudo se originou para dizer: “Era uma vez...” ou “Em tempos remotos...”.
Sim, seria um bom começo se eu não fosse uma árvore. Os humanos, a bicharada e até os seres mitológicos começam suas narrativas deste modo. Prefiro optar por uma forma mais vegetal, imaginando-me talvez um rebento a desabrochar suas próprias sensações.
Quero que sintam comigo essa insegurança que vivenciei, quando uma ventania me soprou no meio de um temporal estrondoso. Imaginem o que é voar sem asas, presa numa nuvem insensata e desvairada que, enceguecida, me libertou no meio do nada. Nada a contemplar e, depois da tempestade, nenhum barulho, apenas quietude e solidão.
Estava aí sozinha no meu minúsculo mundo que se resumia a um insignificante caroço, quando um incontrolável impulso fez com que desgarrasse a pele protetora, para poder soltar minha p...
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03 de fevereiro de 2010
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Crônica
Raul Cânovas
Comecei descobrindo a beleza quando meus olhos de bebê ainda não sabiam olhar. Intuí a delicada simetria do torso de minha mãe, enquanto mamava algo que era bom e que fluía generosamente. Minha primeira aula, sobre conhecimento sensorial, ensinava-me que o bom e o belo podiam ter um significado análogo. Descobri muitos anos depois, que na Grécia Antiga acreditavam que a beleza era a consequência da felicidade dos deuses e estes, quando sorriam, demonstravam sua bondade e sua graça que era definida em uma única palavra: ”Calagathon”.
Chamava minha atenção tudo aquilo que uma criança julga de lindo, ou de brilhante bizarria: o Chevrolet, ano 1947 de meu pai, os contornos sinuosos de minha professora, do 2º ano, do ensino fundamental, que se chamava Lidia, a camisa de meu time, River Plate, as bolas de gude transparentes (tinha um montão delas), os filmes de Superman, os de terror, os cômicos e todos aqueles que me levavam para lugares incríveis, lugares que me ensinavam...
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Canôvas
22 de janeiro de 2010
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"Não há uma fatalidade exterior. Mas existe uma fatalidade interior. Há
sempre um minuto em que nos descobrimos vulneráveis; então, os erros
atraem-nos como uma vertigem”. Antoine de Saint-Exupéry

Pois é, nos últimos dias, diversas regiões foram castigadas por chuvas
intermitentes, que ocasionaram deslizamentos de terra com enormes danos
materiais e, o que é pior, perdas humanas. As manchetes destacavam: "Acaso
infeliz" ou "Uma série de coincidências lastimáveis" e, até, "fatalidade".
Eu, entretanto, me recuso a atribuir ao fadado destino esta catástrofe
ambiental. A civilização tem sido bastante insensível com os sinais que o
nosso querido planeta vem dando já há muito tempo, e esta bola redonda que
chamamos de terra está doente e febril. Sua temperatura é preocupante e seu
corpo mostra feridas abertas que não cicatrizam.
Abusamos dela sulcando-a de estradas que não levam em conta sua necessidade
de respirar, implantamos bairros que atrofiam seu relevo e danificamos ...
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20 de janeiro de 2010
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