Hoje é véspera de Natal. Dia de nos encontrarmos com aqueles que são especiais para trocar não só presentes mas também carinho e amor. Para celebrar a data, Raul Cânovas nos presentou com uma bela crônica de Natal. Feliz Natal, amigos!
Lá estava ele mais uma vez, no meio do jardim, cercado pelas caixas de enfeites que acumularam um fino pó, enquanto esperaram no sótão por mais um dezembro. Tinha um pouco de tudo: bolas coloridas e brilhantes, penduricalhos que pareciam feitos com cetim, adornos chineses e até fitas metalizadas que cuidadosamente enroladas resistiam ano após ano o solene ofício de decorar o pinheiro de natal, permanecendo tão bem conservadas que sempre pareciam estreantes.
Já ia pegar a escada (o pinheiro tinha crescido muito), quando ouviu uma voz aguda e penetrante que parecia surgir do nada perguntando:
- O que você fez de janeiro para cá, além de esperar pela chuva?
Uma outra voz menos estridente respondeu:
- Aguardei o dissolvimento das nuvens, porque nã...
Hoje é um dia especial: o Dia do Jardineiro. E para celebrar esta data tão especial para nós, Raul Cânovas nos conta a bela história de um jardineiro que se tornou rei.
Era jardineiro, mas não um jardineiro qualquer (apesar da estima que tenho por qualquer um que cuide de jardins). Era o jardineiro-mor do poderoso Erra-Imitti, majestade da mítica Babilônia, um reino que se localizava a 80 km ao sul da atual Bagdá, capital do Iraque.
Tudo isto muito antes da Era Cristã e muito antes, inclusive, de Nabucodonosor mandar construir os encantadores jardins, que se transformariam em uma das sete maravilhas do mundo.
Esse rei, sempre no início de todo ano, escolhia um súdito que ocupava o trono durante um dia, apenas um dia, e esta escolha recaía em um vassalo, um súdito de grande prestígio, mesmo porque o soberano da Babilônia não iria ceder sua coroa a qualquer um, apesar de ser por apenas vinte quatro horas. Semanas antes da eleição o reino ficava em um alvoroço geral e a corte que,...
Texto extraído do livro “O jardim como remédio” autoria do paisagista Raul Cânovas.
Certa vez, em uma pequena aldeia plantada à beira do rio Tapauá, o xamã, que era o homem escolhido pelos índios terenas para salvá-los de todas as doenças e malefícios, acordou mais tarde do que era seu hábito. Normalmente, antes da Lua cruzar com o Sol, ele saía de sua taba com os apetrechos de rezar e caminhava vagarosamente por uma trilha até alcançar uma clareira que ficava a uma légua e pouco do ponto de partida. Mas esse dia começou diferente. Os espíritos da noite que habitavam em seus sonhos demoraram em ceder lugar para o mundo que só se enxerga de olhos abertos. Uaican acordou com um traço de luz que corria por um de seus braços desde o ombro até a mão. Por um momento pensou que, ao levantar, o raio de Sol ficaria grudado a esse lado de seu corpo, mas isso não ocorreu. Apenas permaneceu um delicado calor que deixava um formigamento suave, como se fosse uma energia criada por um de seus ung...