Dicas

O segredo do canto das cigarras



Nesta época de chuvas o canto das cigarras, às vezes meio monótono, outras meio irritante, é comum em todo o Brasil.

Depois de permanecer entre quatro a dezessete anos, dependendo da espécie, embaixo da terra, sugando a seiva das raízes para atingir a maturidade, os machos, e somente eles, emergem e cantam esgoeladamente para atrair as fêmeas, que são silenciosas. Por incrível que pareça esse ruído agudo pode atingir até 120 decibéis.

O aparelho sonoro deles é formado por duas cavidades na parte ventral do corpo, entre o tórax e o abdômen. A maior esta em comunicação com o exterior e a outra, escondida dentro de uma membrana, se contrai de modo rápido e continuo, vibrando e emitindo o som característico. Todo esse conjunto funciona afinadamente, como se fosse uma cuíca.

A crença de que a cigarra “explode” é um mito, a “casca” que vemos, pressa ao tronco das árvores, é o exoesqueleto do inseto que fez a última muda ou ecdise, concluindo sua forma adulta. Antigamente se acredit...

09 de março de 2010

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Crônica

E a Terra falou: vou vestir-me de jardim

Sem pressa, bocejando pela última vez, soltou do cabide os verdes mais verdes e, depois de trajá-los, se engalanou com flores.

Sei que em muitos momentos de minha vida me afastei da realidade para fantasiar idéias insólitas. E quer saber de uma coisa? Vou continuar com minhas quimeras e minhas utopias que sempre inventam um mundo melhor. Quero continuar imaginando que algum dia, este planeta seja motivo de inveja de todos os alienígenas que nos espiam com seus poderosos telescópios.

Não quero que nos admirem por causa de tecnologias complicadas ou, pelo exagero de nossos luxos. Quero que eles fiquem abestalhados com a nossa felicidade, com o tamanho do sorriso largo das mulheres e dos homens que souberam conquistar a melhor das fortunas, aquela que contenta a alma de maneira verdadeira - essa que não se compra, nem se ganha por acaso.

Estou falando daquela alegria intensa que você e eu podemos vestir para sempre, se formos um pouco mais verdadeiros. Até que ponto somos realme...

26 de fevereiro de 2010

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Crônica , Para Pensar

A arca da aliança

Quando Moisés foi incumbido de construir a Arca da Aliança, teve que enfrentar uma série de vicissitudes. A ordem divina deveria ser realizada, e a primeira dificuldade a ser vencida era a de encontrar, no meio desse imenso deserto, uma árvore que lhe oferece se a madeira necessária para essa empreitada. O homem que se tornaria o libertador dos hebreus andou na frente de seu povo durante dias e dias pelo Deserto do Sinai, olhando sem parar ao seu redor e constatando a ausência de qualquer vegetação. Isso motivava ainda mais seu fervoroso desejo de encontrar um cipreste, uma oliveira, enfim algo com um tronco lenhoso para construir essa caixa que guardaria os dez mandamentos da lei de Deus.

Por fim, descendo de uma colina, em um final de tarde, surge como que desenhada por cima de um sol vermelho, uma acácia quase atarracada, cuja copa tinha multiplicado seus galhos ate atingir um espaço aéreo pleno de intrincados filigranas. Esses ramos estavam apoiados em um tronco, curto e reto...

12 de fevereiro de 2010

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Crônica , Para Pensar

Uma história que parece não ter fim, conforme depoimento de um jequitibá


Tenha paciência, não me interrompa. Para contar esta minha história, preciso viajar no tempo, dar um imaginário salto, um pulo de ré, que me faça cair onde tudo se originou para dizer: “Era uma vez...” ou “Em tempos remotos...”.
Sim, seria um bom começo se eu não fosse uma árvore. Os humanos, a bicharada e até os seres mitológicos começam suas narrativas deste modo. Prefiro optar por uma forma mais vegetal, imaginando-me talvez um rebento a desabrochar suas próprias sensações.

Quero que sintam comigo essa insegurança que vivenciei, quando uma ventania me soprou no meio de um temporal estrondoso. Imaginem o que é voar sem asas, presa numa nuvem insensata e desvairada que, enceguecida, me libertou no meio do nada. Nada a contemplar e, depois da tempestade, nenhum barulho, apenas quietude e solidão.
Estava aí sozinha no meu minúsculo mundo que se resumia a um insignificante caroço, quando um incontrolável impulso fez com que desgarrasse a pele protetora, para poder soltar minha p...

03 de fevereiro de 2010

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Crônica

Divagações sobre minhas experiências com o belo

Raul Cânovas

Comecei descobrindo a beleza quando meus olhos de bebê ainda não sabiam olhar. Intuí a delicada simetria do torso de minha mãe, enquanto mamava algo que era bom e que fluía generosamente. Minha primeira aula, sobre conhecimento sensorial, ensinava-me que o bom e o belo podiam ter um significado análogo. Descobri muitos anos depois, que na Grécia Antiga acreditavam que a beleza era a consequência da felicidade dos deuses e estes, quando sorriam, demonstravam sua bondade e sua graça que era definida em uma única palavra: ”Calagathon”.

Chamava minha atenção tudo aquilo que uma criança julga de lindo, ou de brilhante bizarria: o Chevrolet, ano 1947 de meu pai, os contornos sinuosos de minha professora, do 2º ano, do ensino fundamental, que se chamava Lidia, a camisa de meu time, River Plate, as bolas de gude transparentes (tinha um montão delas), os filmes de Superman, os de terror, os cômicos e todos aqueles que me levavam para lugares incríveis, lugares que me ensinavam...

22 de janeiro de 2010

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Crônica , Para Pensar

As tragédias no litoral

"Não há uma fatalidade exterior. Mas existe uma fatalidade interior. Há
sempre um minuto em que nos descobrimos vulneráveis; então, os erros
atraem-nos como uma vertigem”. Antoine de Saint-Exupéry

Pois é, nos últimos dias, diversas regiões foram castigadas por chuvas
intermitentes, que ocasionaram deslizamentos de terra com enormes danos
materiais e, o que é pior, perdas humanas. As manchetes destacavam: "Acaso
infeliz" ou "Uma série de coincidências lastimáveis" e, até, "fatalidade".

Eu, entretanto, me recuso a atribuir ao fadado destino esta catástrofe
ambiental. A civilização tem sido bastante insensível com os sinais que o
nosso querido planeta vem dando já há muito tempo, e esta bola redonda que
chamamos de terra está doente e febril. Sua temperatura é preocupante e seu
corpo mostra feridas abertas que não cicatrizam.

Abusamos dela sulcando-a de estradas que não levam em conta sua necessidade
de respirar, implantamos bairros que atrofiam seu relevo e danificamos ...

20 de janeiro de 2010

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Crônica

Um Réveillon na Floresta

Hoje, último dia de um ano exaurido, contemplo em plena quinta-feira a multidão andando pelas ruas, como se fosse sábado, aliás, nos últimos anos tenho percebido que as pessoas se comportam de uma maneira engraçada, quase de modo infantil nesta data, até parece que a glândula supra-renal produz um hormônio diferente. Não é bem adrenalina é um principio ativo, mais ativo e efusivo que se apresenta a caráter, produzindo trinos e bramidos. Há uma energia, uma força, algo difícil de mensurar que obriga a sorrir e brindar. É como se todos os anos um operário divino fosse incumbido de dar uma mão de verniz, contendo essências vitais que recobram e remoçam.
Esta pincelada cósmica que nos atinge cobre também a padaria da esquina, os carros e o som de suas buzinas, e ajudada pela brisa que alcança a floresta onde sutilmente da um banho em cada uma das folhas, espirrando vigor também nas cascas, que como esponjas absorvem, para embriagar flores e frutos.


Perto de onde eu moro, uma primave...

31 de dezembro de 2009

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Crônica

Paisagismo à beira-mar

“Impossível exprimir os sentimentos que dominam o observador enquanto os seus olhos contemplam o cenário lindamente variado que se apresenta a entrada do porto, cenário talvez sem rival na face da terra, e em que a natureza parece ter exaurido todas as suas energias. Tenho visitado desde então muitos lugares famosos pela beleza e magnificência, mas nenhum deles me deixou na mente igual impressão. Até onde à vista alcança na baia, belas ilhas verdejantes e cobertas de palmeiras se viam surgir da espessura, enquanto as colinas e altaneiras montanhas que a circundam, douradas pelo sol poente, formavam uma moldura adequada a tal quadro. À noite as luzes da cidade produzem belo efeito, e quando a brisa da terra começou a soprar, trazia em suas asas o delicioso aroma da flor da laranjeira e outras flores perfumosas, que me deliciavam tanto mais por haver estado tanto tempo privado da companhia das flores. Ceilão tem sido decantada pelos viajantes por causa de suas especiarias odoríferas, ...

30 de dezembro de 2009

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