Planta da Semana - Árvores

A mãe de todas as mães

Não, não é um concurso para eleger a mulher que deu à luz mais filhos, nem a mais desvelada, nem sequer a genitora perfeita. Hoje preciso e quero venerar aquela de cujo útero surgiu à própria vida: A PACHAMAMA.

Os aymarás, os quéchuas e outros povos das regiões andinas do Equador, Peru, Bolívia e noroeste da Argentina, acreditam que esta divindade, que os protege e gera toda forma de vida, é a Pachamama. Ela, e só ela, promove a fertilidade e a fecundidade da terra, verdadeiro inicio de tudo aquilo que palpita neste planeta.

As nações primitivas atribuíam a suas deusas o milagre de engendrar a existência das coisas e dos seres vivos. Os astecas batizaram a Mãe-Terra de Teteoinnan, dela nasceram todos os deuses, inclusive Xochiquetzal (flor bela), uma Mãe-Terra jovem que regia o amor e a gravidez e que era representada no meio de flores, no México Central. Na religião Puebla, entre os índios do sudeste norte-americano, os Kachinas eram seres divinos que atendiam as súplicas dos n...

07 de maio de 2010

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Crônica

Lara, a deusa do silêncio.

Tem dias que amanhecemos um pouco menos afobados do que habitualmente e por isso, talvez, mais pensativos, mais reflexivos.

Enquanto tomava meu café da manhã, senti a falta daqueles barulhos rotineiros, que pontualmente invadem nossa intimidade para lembrar-nos que temos que abandonar a sonolência e que é hora de pegar no batente, por isso, acordei mais lentamente e também por isso, quem sabe, lembrei de uma estória estranha que o tio de um amigo meu, nos contara quando ainda éramos crianças.

Era um dia como o de hoje, meio parado, e aproveitando que não tínhamos aulas na escola o Rafa, eu e outros colegas, brincávamos de “sisudo” no jardim da casa dele. Não sei se vocês lembram, mas o “jogo do sisudo” era aquele em que os participantes deveriam ficar sérios e em silêncio, até que alguém risse ou falasse, e como punição o garoto tinha que pagar uma prenda. Era muito legal, mas nesse dia foi muito melhor, porque tivemos a “canja” do tio do Rafa. Aproveitando a brincadeira de ...

07 de maio de 2010

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Crônica

Festa no Jardim

por Raul Cânovas


Foto: Theophilos.

Fiquei sabendo que hoje teremos uma festa no jardim. As plantas mais exuberantes, as flores mais viçosas e as composições mais inspiradas são as convidadas deste banquete bucólico, regado com os orvalhos das melhores safras. Neste meio tempo, fui alertado por uma comissão de beija-flores, que neste mesmo jardim, seria celebrada uma outra comemoração, homenageando uma árvore muito querida.

O líder da revoada que, aliás, era o mais colorido de todos me sussurrou, minuciosamente, os preparativos comandados por um azulão e uma coruja, que se revezavam dia após dia e noite após noite para aprontar esse que seria o maior de todos os festejos. O pássaro azul alertava para que todas as flores se unissem em braçadas coloridas e instruía centenas de borboletas para que, juntas, formassem uma boana de reflexos luminosos, também tentava convencer uma araponga a martelar apenas no início do evento e silenciar em seguida, para não atrapalhar; já no início...

05 de maio de 2010

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Crônica , Para Pensar

O jardim sagrado


Foto: Ahp Ibanez.

Em um lugar misterioso da terceira dimensão existe um enigmático jardim. Ele é a soma de todos os jardins, a história da paisagem recriada em um único espaço. Nele trabalham os iniciados de todas as eras e de todas as regiões, mulheres e homens que desvendaram todos os segredos que os deuses escondiam.

Esses mestres jardineiros - me atrevo a chamá-los desse modo, com a intenção apenas de dar-lhes um nome - carregavam atavicamente o valor cultural da terra que tinham habitado. Iori que podemos traduzir como “flor adorada” falava o Hana-Kotoba a linguagem japonesa das flores. Ele era o encarregado dos canteiros, onde, às vezes alegres, às vezes melancólicas, ervas miudinhas fabricavam pétalas perfeitas. Iori as impregnava de poesia como se escrevesse sonetos que brotavam do fundo de seu peito.

O que regia as árvores possuía um currículo, que revelava trabalhos divinos pelos bosques do mundo. Ter servido a deusa Asherah, no Sinai, lhe ensinou o conceito da abund...

28 de abril de 2010

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Crônica , Para Pensar

Um lugar ao sol

Há muito aprendi que a luta faz parte de nosso dia-a-dia. Não estou falando, obviamente, de guerras ou batalhas, mas sim desse combate diário para conquistar espaços e poder.

Talvez, essa minha mania, já antiga, de contemplar a mata e também os jardins um pouco mais elaborados, tenha-me dado subsídios para entender que vivemos em um mundo em permanente conflito. Se prestarmos atenção, poderemos perceber que na floresta, ou no meio de uma praça, existe um duelo permanente entre as árvores e as palmeiras por um pedaço que lhes permita sentir o calor do sol. Até a mais frágil das trepadeiras peleja para atingir uma altura e ver a luz.

São coisas da vida... por vezes hostil demais.
 

09 de abril de 2010

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Dicas

O segredo do canto das cigarras



Nesta época de chuvas o canto das cigarras, às vezes meio monótono, outras meio irritante, é comum em todo o Brasil.

Depois de permanecer entre quatro a dezessete anos, dependendo da espécie, embaixo da terra, sugando a seiva das raízes para atingir a maturidade, os machos, e somente eles, emergem e cantam esgoeladamente para atrair as fêmeas, que são silenciosas. Por incrível que pareça esse ruído agudo pode atingir até 120 decibéis.

O aparelho sonoro deles é formado por duas cavidades na parte ventral do corpo, entre o tórax e o abdômen. A maior esta em comunicação com o exterior e a outra, escondida dentro de uma membrana, se contrai de modo rápido e continuo, vibrando e emitindo o som característico. Todo esse conjunto funciona afinadamente, como se fosse uma cuíca.

A crença de que a cigarra “explode” é um mito, a “casca” que vemos, pressa ao tronco das árvores, é o exoesqueleto do inseto que fez a última muda ou ecdise, concluindo sua forma adulta. Antigamente se acredit...

09 de março de 2010

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Crônica

E a Terra falou: vou vestir-me de jardim

Sem pressa, bocejando pela última vez, soltou do cabide os verdes mais verdes e, depois de trajá-los, se engalanou com flores.

Sei que em muitos momentos de minha vida me afastei da realidade para fantasiar idéias insólitas. E quer saber de uma coisa? Vou continuar com minhas quimeras e minhas utopias que sempre inventam um mundo melhor. Quero continuar imaginando que algum dia, este planeta seja motivo de inveja de todos os alienígenas que nos espiam com seus poderosos telescópios.

Não quero que nos admirem por causa de tecnologias complicadas ou, pelo exagero de nossos luxos. Quero que eles fiquem abestalhados com a nossa felicidade, com o tamanho do sorriso largo das mulheres e dos homens que souberam conquistar a melhor das fortunas, aquela que contenta a alma de maneira verdadeira - essa que não se compra, nem se ganha por acaso.

Estou falando daquela alegria intensa que você e eu podemos vestir para sempre, se formos um pouco mais verdadeiros. Até que ponto somos realme...

26 de fevereiro de 2010

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Crônica , Para Pensar

A arca da aliança

Quando Moisés foi incumbido de construir a Arca da Aliança, teve que enfrentar uma série de vicissitudes. A ordem divina deveria ser realizada, e a primeira dificuldade a ser vencida era a de encontrar, no meio desse imenso deserto, uma árvore que lhe oferece se a madeira necessária para essa empreitada. O homem que se tornaria o libertador dos hebreus andou na frente de seu povo durante dias e dias pelo Deserto do Sinai, olhando sem parar ao seu redor e constatando a ausência de qualquer vegetação. Isso motivava ainda mais seu fervoroso desejo de encontrar um cipreste, uma oliveira, enfim algo com um tronco lenhoso para construir essa caixa que guardaria os dez mandamentos da lei de Deus.

Por fim, descendo de uma colina, em um final de tarde, surge como que desenhada por cima de um sol vermelho, uma acácia quase atarracada, cuja copa tinha multiplicado seus galhos ate atingir um espaço aéreo pleno de intrincados filigranas. Esses ramos estavam apoiados em um tronco, curto e reto...

12 de fevereiro de 2010

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