Crônica

Ontem fui cortar o cabelo (o que restou) e como sempre João me recebeu com um abraço. Somos amigos e às vezes confidentes já faz um tempo. Bem humorado, começou seu trabalho perguntando: Você conhece a anedota do barbeiro e o cara que foi a Roma? Não – respondi. - Então a estória é a seguinte: o cara vai ao barbeiro e começa o seguinte diálogo…
Cliente: Bom dia, Libertino!
Barbeiro: Ora, viva! Como está você?
Cliente: Tudo bem, tudo bem! Preparando minha viagem, vou a Roma amanhã, com minha mulher. Vê de deixar meu cabelo em ordem.
Barbeiro: Roma?! Xi! Que escolha, eh! Uma cidade suja, barulhenta cheia de turista pobre...
Cliente: É, minha mulher e eu queremos ver o Papa
Barbeiro: O Papa? Tá bom! Vão vê-lo deste tamanhinho, desde a Piazza di San Pietro, quando saúda a multidão desde a janela – diz fazendo um gesto com a mão, enquanto segura o pente entre os dentes.
Cliente: Não importa, de qualquer maneira iremos vê-lo
Barbeiro: Já comprou as passagens?
Cliente: - Sim, p...
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07 de fevereiro de 2012
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Crônica
Afinal de contas, qual é sua função?

Roberto Burle Marx: um dos maiores paisagistas do século XX
Há milênios que o mundo se organiza procurando o bem estar destes pobres terrícolas que nele habitam. Inventamos a roda, Prometeu roubou o fogo dos deuses, criamos o calendário, vasculhamos todos os mares e descobrimos a América. Entretanto ainda não achamos o verdadeiro sentido da vida, apesar do filósofo Platão, de Arjuna, o herói do Mahabharata e dos esforços de Sigmund Freud e de seus seguidores.
Os médicos cuidam das pessoas para que possam viver mais e com saúde, arquitetos se preocupam com moradias confortáveis e os advogados administram a justiça nos salvando (pelo menos tentam) dos iníquos. Mas e os paisagistas? Qual é a utilidade deles, se a paisagem já existia antes mesmo de Adão e de Eva? De quem foi a ideia de mexer com a natureza na tentativa de colocar ordem na sua flora? Ora, isto parece de uma presunção e de uma arrogância colossal. Reagrupar árvores, fazer cerc...
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27 de dezembro de 2011
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Curiosidades
Os gaúchos, na região sul do Brasil, vivem em um território com pouco relevo, mas com uma vegetação característica
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Paineira-rosa
Nesses pampas, figuras do tamanho de Mario Quintana, Moacyr Scliar, Iberê Camargo e Nelson Gonçalves, encontraram inspiração para a arte que os consagrou. Nos campos e florestas às vezes planos, outras suavemente ondulados, surge uma vegetação representada por pinheiros e espécies de folhas decíduas que vegetam em regiões com as temperaturas mais baixas do inverno brasileiro, chegando a sofrerem geadas e até, ocasionalmente, nevascas.

Mario Quintana
Esse clima, com ventos como o pampeiro, de fortes rajadas seguidas de chuvas ou do minuano, que sopra do sudoeste, trazendo muito frio, desenvolveu um espaço biológico com características típicas que o diferenciam do resto do país.
Este é um dos motivos pelos quais o paisagismo gaúcho use árvores próprias, essências indígenas que há centenas de anos crescem espontaneamente no Rio Grande do Sul, faci...
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05 de dezembro de 2011
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Para Pensar
Qual o paisagista que não sonhou, em algum momento, criar uma paisagem sem defeitos?

Campo de trigo, Valle de Amblés, Ávila, Espanha (Crédito a Ximénex)
Um cantinho ou um amplo espaço de terra que encerre a perfeição daquilo que a natureza nos oferece, completando a necessidade de sentir-nos felizes? Mas como fazer isto, como imaginar o jardim perfeito se ainda não sabemos, exatamente, como engendrar contentamentos simples que alimentem nosso bem-estar? Tornamos-nos especialistas na procura de informações, de conhecimentos e de qualquer referência que alimente nossos currículos e enfeite a parede de diplomas e certificados. Mas o que sabemos sobre nós mesmos? Sobre nossas vontades genuínas? Como podemos sonhar com um jardim esplêndido se não vislumbramos nosso próprio esplendor, aquele brilho puro que carregávamos quando partimos do útero para aventurarmos na vida?

Estado-fonte nos jardins do Monte Palace (Créditos a Allie_Caulfield)
Fomos moldados para parti...
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10 de outubro de 2011
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Dicas
Quando a topografia do terreno não é plana as sequências de degraus, interrompidos por patamares, salvam distâncias

Mas não é só, raramente é levado em conta o aspecto simbólico delas. Seu desenho não está restrito à função de ligar ambientes externos. Se fosse apenas isto sua importância teria um benefício passageiro, seu mérito estaria restrito a encurtar ou resolver uma situação topográfica e, quando é vista desse modo, observamos o lado arquitetônico que envolve as lâminas horizontais ou pisadas e o espelho dos degraus que ficam verticalmente posicionados, unicamente isto.

Por esse motivo quero ver as escadas como elementos simpáticos que nos obrigam a prestar atenção redobrada a cada passo que damos. Em cada degrau o panorama do contorno muda de repente, revelando elementos novos ou fazendo desaparecer imagens que, segundos atrás, eram nítidas. Isto, especialmente, quando desenhadas de forma a serpentear o terreno, criando curvas, ora para direita, ora para a esquerda ...
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30 de setembro de 2011
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Crônica
O cotidiano, aquilo que é repetido sempre do mesmo modo, não é estilo de vida para um criativo

Campos de arroz em Bali
Às vezes é necessário esquecer as trilhas diárias, apagar o roteiro que nos empurra para os mesmos cantos, as mesmas estações, como em uma Via Crucis. Sempre tive medo do previsível, por isso passei uma vida andando por caminhos longos e pelos campos e as matas onde eles nem existiam. Rejeitei atalhos por serem prováveis e econômicos, precisava ser um perdulário que não economizava paisagens a serem estreadas. Gastei... gastei? Não, acumulei os resultados da minha travessia, enchi meu cofre com as lembranças dos capins patagônicos, sempre tão agitados pelo vento que nunca dorme. Coloquei dentro dele a memória dos campos de arroz balineses, salpicados aqui e acolá pelos lótus. Pus os perfumes das lavandas que cheirei na Provence. Sim, enriqueci, enchi minhas burras de sentimentos desiguais, eles são melhores que as rotinas inalteradas onde tudo já foi semeado p...
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12 de agosto de 2011
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Crônica
Imagine um espaço vazio, apenas uma terra nua, nenhuma planta, nenhum indício de vida. Nada

Por onde começar? Já ouvi dizer que, em primeiro lugar, devemos afiar nossas ferramentas antes de iniciar uma tarefa. Então o que há de melhor do que fazer algo bem simples, como sonhar? A ferramenta do criativo é o sonho, a arte de visualizar formas e cores, símbolos e qualquer outra coisa guardada no inconsciente que possa servir para a produção de formas novas, formas que representem a emergência de algo inédito e exclusivo. Criar é estar aberto para enxergar problemas e deficiências, é ser sensível com as desarmonias (sem afetações). É ter liderança com uma equipe que preencha todas as necessidades de um planejamento. Se formarmos um grupo multidisciplinar poderemos organizar uma criatividade em grupo, onde haverá um processo que irá apontar as lacunas do conhecimento, formulando não apenas as hipóteses e sim as soluções destas.

Criatividade em equipe
Lembro de um filme, quando est...
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09 de agosto de 2011
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Crônica
Elas são, desde sempre, espaços de convívio com muito verde e sem edificações
Acredito que chegou a hora de repensar a função que cumprem nossas praças. Antigamente esses largos, esses espaços públicos, serviam para reuniões políticas, cerimônias religiosas e às vezes para espetáculos com saltimbancos, ou sainetes e comédias. Ocasionalmente vendedores de elixires, que curavam desde tose até queda de cabelo e também falta de marido, surgiam anunciando estridentemente suas bugigangas. As praças eram utilizadas, igualmente, nos funerais, festas de casamento e (que horror!) enforcamentos.

Praça Medieval
Entretanto o conceito da praça contemporânea deve ser explicado como uma área onde a vegetação é priorizada. Em décadas passadas sofremos com as praças-secas onde o concreto era preferido em detrimento de canteiros arborizados. Uma onda de “modernismo” mandava tiranicamente que se construíssem espaços culturais isentos de verde para pretensiosamente valorizar uma tendência minima...
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14 de junho de 2011
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