Enriquecer a paisagem

Reverdecer os ramos, vestir a terra com folhas novas

E, também, alimentar as raízes musgosas à espera, quiçá, de uma fruta madura que cheire bem e encha de açúcar minha alma. Assim, sentindo pétalas perfumando as mãos que há tempos foram delicadas e que agora endureceram por fora, contemplo a paisagem à minha volta. Ela aproveita a luz que penetra rendada, depois de mergulhar na fronde, criando um templo a céu aberto onde plantas singulares, tranquilamente, florescem ouvindo o sussurro da brisa e das fadas brincalhonas e gentis.

Mais tarde as estrelas serenas irão te contemplar e verão que vesti você, jardim, como se fosses um corpo, como se fosses a soma de tudo o que é vivo e vívido, iluminando com o ardor de um amor mitológico tuas entranhas cheias de seiva. Sonho com um coral de velhos jardineiros que desafinem “a cappella” uma cantiga boba e pura, entonada com as gargantas daqueles que se emocionam quando veem nascer uma borboleta.

Sonho, sonho… porque sonhar e coisa de jardineiro e o jardim e a eternidade que habita minha alma de criatura, que aprendeu com você, jardim, como se fabricam emoções.

Me ensinastes como se acaricia o tronco suave da caneleira, aprendi a sentir teus perfumes e sabores, ouvi o barulhinho da chuva quando conversava com as folhas de uma bananeira e, por fim, extasiando meu olhar, contemplei você em toda tua magnificência.

Autor: Raul Cânovas

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