Espirradeira, oleandro, loendro, loandro, loandro-da-índia, loureiro-rosa, adelfa, cevadilha ou flor-de-são-josé.

Popular nos países banhados pelo Mar Mediterrâneo, é comum vê-la nos canteiros centrais das autopistas da Itália e da Espanha, costume adotado em cidades do Brasil, como é o caso de Porto Alegre. Conhecida como “adelfa” no mundo grego, muito antes da nossa era, foi chamada também de nerion, homenageando Nereu, um deus marinho, filho de Pontos e de Gaia, com poderes proféticos e grande sabedoria. Foi inspiração para o poeta Virgílio, autor da Eneida; descrita por Plínio, O Velho, na sua “Naturalis Historia”, publicado no ano de 77, em Roma e citada por Jean-Baptiste Rousseau, o grande poeta francês do século XVIII.
Durante a guerra da Argélia, (1954 – 1962) a guerrilha, que pleiteava a independência da França, usava a planta para contaminar os poços e cisternas e assim envenenar as tropas francesas de ocupação. Como toda a planta é tóxica, por causa dos seus princípio...
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29 de fevereiro de 2012
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Crônica
Germinei há muito tempo, como uma árvore qualquer...

Por isso não celebro hoje meu aniversário e, sim, o momento em que brotei para a vida aparecendo neste mundo. Nos primeiros anos, fui cuidado sob a proteção dos mais velhos e experientes. Alegre, ganhava tamanho e forças para ser eu mesmo, apesar de cedo notar que era tutorado, para não me dobrar e podado, para ser bem-educado e civilizado.
Nessa infância, pensei que poderia ser forte e resistente e também firme nas minhas convicções, mas observei mais tarde que os obstinados cresciam de modo pouco flexível cedendo feio frente às tormentas e os tormentos. Então optei por ser um pouco mais complacente, copiando os bambus que se dobravam com o vento, sem se quebrar para em seguida erguer-se, demonstrando a clara rebeldia dos que não obedecem, mas sabem esquivar o mau tempo. Demorei bastante em entender o que acontecia em volta de mim, aliás, ainda não sei o porquê de muitas coisas, igual às árvores que não sabem contar ...
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28 de fevereiro de 2012
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Crônica
“O rio atinge seus objetivos porque aprendeu a contornar obstáculos” Lao Tsé
Jardim Japonês do Bosque/Zoo “Dr. Fábio Barreto”, em Ribeirão Preto
Uma das grandes diferenças entre o paisagismo desenvolvido na Ásia e aquele que cresceu no Ocidente é o caráter místico e religioso que está presente nos chineses, nos japoneses e nos coreanos. Esses povos tiveram, desde os primórdios da civilização, uma preocupação muito forte de manter uma ligação com a natureza; Lao Tse, por exemplo, ilustrava com frequência suas metáforas com exemplos tirados da paisagem. Em uma de suas citações, ele diz que a gente deve deslizar na vida como se estivesse em um rio, ou seja, de uma maneira mansa e até despreocupada. Recentemente Barry Stevens (1902 – 1985), psicóloga e escritora que desenvolveu sua própria forma de Gestalt-Terapia (um trabalho corporal, com base no conhecimento dos processos do corpo, trabalhando com personalidades como Carl Rogers, Bertrand Russell e Aldous Huxley) escreveu um...
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27 de fevereiro de 2012
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Chapéu-de-praia, sol-da-mata, rosa-da-mata, sol-da-bolívia, palo-de-cruz, rosa-da-montanha, bráunia.
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Essência arbórea a ser cultivada apenas em climas quentes e úmidos, já que é originaria da região Norte da Amazônia. Suas flores, com até 15 centímetros de diâmetro, são curiosas porque, em densos capítulos de vermelho intenso, surgem pegadas ao tronco ou nos ramos principais, formando vagens graúdas e aveludadas. Sua folhagem permanente é muito decorativa, especialmente quando as folhas novas pendem em cachos flácidos e avermelhados.
Seu nome botânico é uma homenagem a Patrick Browne (1720 – 1790), um médico e naturalista irlandês, autor de uma história natural de Jamaica; grandiceps, por causa das grandes flores. Pode ser usada próxima dos caminhos e das construções e assim contemplada de perto – mesmo porque é uma árvore de crescimento lento que alcança pouco mais de seis metros, na melhor das hipóteses. Acima do Trópico de Capricórnio, nas regiões livres de geadas e prefere...
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27 de fevereiro de 2012
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Crônica
Decidi escrever algo pouco sério.

Desfile da Vai-Vai, campeã do Carnaval de São Paulo em 2011
Afinal, no meio deste carnaval não há espaço para discursos filosóficos, teorias sobre a estética ou dicas de jardinagem. Querendo ou não somos levados por uma corrente de euforia contagiante. Impossível ficar de fora de algo tão representativo, tão brasileiro, tomando conta das ruas e da gente.
Lembro de carnavais passados, longe desta festa toda. Viajava ao Chile para “internar-me” no Vale do Maipo e apreender mais um pouco sobre os carmenères e os sauvignons blancs, ou a Mendoza onde também fazia os percursos etílicos degustando malbecs fantásticos. Em uma ocasião passei a semana de folia, sem folias, em Bento Gonçalves, hospedado na Casa Valduga, fiquei amigo de Dom Luigi e da Dona Maria, os patriarcas da vinícola mais respeitada fora do país. Com eles viajei pelo Vale dos Vinhedos conhecendo vários produtores: Marson, Miolo, Dom Cândido, Pizzato, Don Laurindo. Conheci e bebi ...
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20 de fevereiro de 2012
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Este arbustinho, escrevo arbustinho não como um demérito e sim por causa do tamanho dele, é uma opção a ser levada em conta por diversos motivos: primeiro porque não são muitas as plantas com pétalas azuis que florescem o ano inteiro; segundo porque o porte pequeno e a forma erecta e colunar permite seu uso em jardins com pouco espaço e até em vasos e jardineiras; terceiro porque apesar de gostar de sol, suporta bem locais sombreados, crescendo rapidamente; quarto porque é rústico e indiferente a ventos e a estiagens periódicas, aclimatando-se nas regiões litorâneas. Quinto porque é ideal na formação de renques compactos de baixa altura. Sexto porque nunca vi pragas ou doenças que lhe afetem.
Quer mais? É linda!
Ah! Com as folhas é preparado um extrato utilizado para o tratamento de anemias, inflamações e dores de dentes.
Confira a ficha completa na Biblioteca de Espécies.
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16 de fevereiro de 2012
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Dicas

O autor de Tempo de Despertar, que inspirou o filme homônimo com Robert De Niro e Robin Williams, vê publicado este diário de viagem.
Nascido há 78 anos em Londres, este neurologista lançou Enxaqueca, seu primeiro best-seller em 1970, e não parou mais de escrever. Agora a Companhia das Letras edita Diário de Oaxaca, escrito originalmente em 2002. Nele, narra uma expedição a essa região mexicana onde as montanhas de Sierra Madre beijam o céu e seus vales servem de berço para uma flora rica composta por mais de duas mil espécies. A UNESCO, depois de constatar essa biodiversidade, reconheceu no Estado a área natural de Huatulco, como uma das 529 Reservas Mundiais da Biosfera distribuídas por 105 países.
No relato, Oliver Sacks descreve minuciosamente plantas, especialmente as samambaias e alguns dos mais de 500 pássaros de Oaxaca, que observou durante dez dias enquanto acompanhava um grupo de botânicos interessados em descobrir o local, muitas vezes tomado por densa névoa, onde e...
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15 de fevereiro de 2012
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Crônica

Jardins das Tulherias
A paisagem nos contempla e, embora estática, quase quieta, se ilude na maioria das vezes esperando que devolvamos seu olhar, com nossa perspicaz soma de interpretações.
Bem ou mal entendidas e juntadas às somas das nossas vaidades, tentamos em vão recriar uma harmonia já criada divinamente, há tanto tempo.
Projetar um jardim é isto, traduzir de modo revelador o que nosso contorno manifesta genuinamente. O paisagista deve agir verdadeiramente quando procura ser original, concebendo formas que reflitam algum significado. Cada linha traçada irá se associar a outra até expressar uma emoção que deve transparecer sua cultura e a cultura da comunidade que ele representa e da qual é porta voz nessa ocasião. A paisagem inventada deve constituir-se em um enredo que manifeste não apenas massas, volumes e cores, mas especialmente sentimentos empáticos que vigorizem nossa capacidade de amar e de sermos felizes.
Foi assim no Renascimento Italiano, quando Vignola d...
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13 de fevereiro de 2012
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