Crônica
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Foto: Ahp Ibanez.
Em um lugar misterioso da terceira dimensão existe um enigmático jardim. Ele é a soma de todos os jardins, a história da paisagem recriada em um único espaço. Nele trabalham os iniciados de todas as eras e de todas as regiões, mulheres e homens que desvendaram todos os segredos que os deuses escondiam.
Esses mestres jardineiros - me atrevo a chamá-los desse modo, com a intenção apenas de dar-lhes um nome - carregavam atavicamente o valor cultural da terra que tinham habitado. Iori que podemos traduzir como “flor adorada” falava o Hana-Kotoba a linguagem japonesa das flores. Ele era o encarregado dos canteiros, onde, às vezes alegres, às vezes melancólicas, ervas miudinhas fabricavam pétalas perfeitas. Iori as impregnava de poesia como se escrevesse sonetos que brotavam do fundo de seu peito.
O que regia as árvores possuía um currículo, que revelava trabalhos divinos pelos bosques do mundo. Ter servido a deusa Asherah, no Sinai, lhe ensinou o conceito da abund...
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jardim
28 de abril de 2010
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O relógio de sol mede a passagem do tempo durante o dia, conforme a sombra de um pino, ou de uma placa, vai mudando de lugar dependendo das horas. Seguramente este foi o modo mais antigo usado pelos homens para dividir os dias. Os egípcios se utilizavam das próprias sombras, que seus corpos projetavam para saber se, ainda, era de manhã ou, se estavam no período vespertino. Com o tempo, e já no século XII a.C., inventaram o primeiro relógio de sol, que foi muito utilizado durante o Império Romano e teve seu apogeu no mundo árabe no século X d.C..
Os relógios de sol foram populares até os finais do século XVIII e eram construídos mais ou menos com a mesma técnica empregada pelos sábios e matemáticos, não só do Egito, mas também da Babilônia e mais tarde da Grécia.
Que tal construir um e colocá-lo no jardim, para medir nossos momentos de preguiçoso lazer? Então mãos à obra!
Escolha um caibro de madeira e finque-o em um espaço aberto, afastado de qualquer edificação, para ...
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23 de abril de 2010
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Lembro ainda de minha visita ao viveiro da prefeitura de João Pessoa, na Paraíba. A temperatura era alta, final de outubro, e de repente me deparo com um enorme sapotizeiro que parecia me convidar a usufruir do frescor de sua sombra. Vocês vão dizer que estou exagerando, que é pura narrativa, mas não é verdade! Quando, um pouco agachado, entrei, para ficar sob a copa dessa imensa sapota, senti imediatamente que a temperatura tinha caído de, talvez, 37°, 38° para confortáveis e plácidos 24°, quiçá 25°. Tá bom, no máximo, 27° não mais do que isso. Parecia que um aparelho invisível de ar-condicionado de 30.000 btus, tinha sido instalado em algum galho da árvore.
Essa frutífera é originaria da América Central e das Antilhas, principalmente Jamaica e Cuba, mais muito cultivada nos pomares domésticos do Norte e Nordeste. A planta, que pode alcançar 15 m de altura, se notabilizou por fornecer o material básico para a fabricação do chiclete. O autêntico “chewing-gum”, consumido astrono...
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22 de abril de 2010
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Para Pensar

Nos últimos dias, as manchetes de todos os jornais noticiaram inundações e desmoronamentos de terra, causados pelas chuvas, no Rio de Janeiro. Causados pelas chuvas? Bem, vamos ser realistas, chover, sempre choveu, os alagamentos são o resultado dos desmatamentos, das construções irregulares, das terraplenagens equivocadas e da impermeabilização do solo nos centros urbanos.
Isto é verdadeiro e simples de verificar, porque em áreas intocadas e agrestes não vemos alagamentos e se há uma quantidade excessiva de água retida, em um vale ou em uma depressão de terreno, esta é absorvida rapidamente pelo solo. Uma área arborizada absorve 95% da água das chuvas, em contrapartida o solo limpo aproveita, no máximo, 60% e, se pavimentado, a absorvência é zero.
Todo o mundo sabe que as chuvas são medidas em milímetros, mas é importante explicar como isto funciona. Quando o serviço meteorológico informa que choveu 1 mm, está noticiando que caiu 1 litro de água em 1 m², essa é a altura que...
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15 de abril de 2010
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Há muito aprendi que a luta faz parte de nosso dia-a-dia. Não estou falando, obviamente, de guerras ou batalhas, mas sim desse combate diário para conquistar espaços e poder.
Talvez, essa minha mania, já antiga, de contemplar a mata e também os jardins um pouco mais elaborados, tenha-me dado subsídios para entender que vivemos em um mundo em permanente conflito. Se prestarmos atenção, poderemos perceber que na floresta, ou no meio de uma praça, existe um duelo permanente entre as árvores e as palmeiras por um pedaço que lhes permita sentir o calor do sol. Até a mais frágil das trepadeiras peleja para atingir uma altura e ver a luz.
São coisas da vida... por vezes hostil demais.
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09 de abril de 2010
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Quando era criança acompanhava meu pai nas pescarias, minha mãe levava uma frigideira, aceite e sal, para fritar os possíveis peixes que ele iria tirar da água, com a ajuda de sua coleção de anzóis. Eu era designado para pegar as minhocas que serviriam de iscas para nosso almoço.
É claro que algumas vezes meu pai não conseguia fisgar nem sequer uma manjubinha e éramos condenados a passar fome, porque ele se recusava a levar qualquer coisa para comer em caso de emergência. Nessas ocasiões, a jornada acabava sempre em um restaurante, onde comíamos um delicioso salmão na brasa, regado com limão siciliano.
Naquela época não imaginava que as minhocas poderiam ter alguma outra utilidade a não ser aquela de enganar os peixes. Entretanto, hoje sei o quanto são úteis no jardim.
É muito fácil criá-las: cave uma vala quadrada de 2 metros de lado e 60 centímetros de profundidade. No fundo e nas laterais, revista com eucalipto, que lhes servirá de alimento, depois encha essa vala com um sub...
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08 de abril de 2010
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Há mais de 600 anos, morria Catarina Benincasa, aquela doce e bela Catarina que a igreja católica a santificaria, mais tarde, especialmente, porque foi num fim de semana, como este, que José de Arimateia, um membro respeitável do Conselho Supremo, junto com Nicodemos, retirou da cruz o corpo inerte de Jesus, para prepará-lo com unguentos feitos com mirra e uma resina vegetal que chamavam de aloe, para que pudessem sepultá-lo. Era véspera de Pessach e estes homens caridosos cumpriam mais uma vez o ritual, que já era tradição entre os judeus, desde as épocas em que viviam no Egito, onde corpos eram embalsamados a fim de prepará-los para uma futura ressurreição.
É interessante lembrar que a mirra era uma resina aromática que se tirava de um arbusto nativo da Arábia e que foi um dos presentes que os Reis Magos levaram para Jesus quando ele nasceu. Isto não foi uma mera coincidência, a mirra representava a morte e a ressurreição, enquanto que o ouro simbolizava a dignidade real e o ince...
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01 de abril de 2010
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