Os gatos e seus prazeres

Pois é, assim como as pessoas, a gataria compraz-se com algumas coisas. A erva-dos-gatos é algo que todo bichano gosta


A Nepeta cataria cresce silvestre na África, Ásia e Europa, onde é conhecida como catmint, herbe aux chats ou hierba del gato. Ela provoca relaxamento ou estímulos incríveis graças a uma substância ativa chamada Neptalactone, que age como um feromônio, deixando-os deliciosamente agitados. Essa herbácea é perene, de folhas acinzentadas e perfumadas, e alcança, com seus ramos fortes, quase oitenta centímetros de altura. As flores, às vezes violáceas, azuis ou brancas surgem nas estações mais quentes, atraindo borboletas e abelhas.


Erva-de-gato

Quem gosta de gatos deve plantar a Nepeta em canteiros a pleno sol ou locais íngremes, por se tratar de uma espécie rústica de pouca manutenção.

Os gatos são incapazes de raciocínios complexos, porém têm uma enorme capacidade de sentir o prazer e, diferente de nós humanos, não temem a ira divina, não choram seus mortos e não são gananciosos. Tenho quatro gatos e mantenho com eles uma espécie de cumplicidade. Eles não demonstram a efusividade escancarada que meus dois cachorros manifestam a todo o momento. Parece que nosso amor é um segredo que devemos manter e que é sutilmente evidenciado no olhar misterioso que se origina no âmago deles.

Mark Twain (1835 – 1910) o famoso escritor e humorista americano, célebre por “As Aventuras de Tom Sawyer” diz que: “De todas as criaturas de Deus, somente uma não pode ser castigada. Essa é o gato. Se fosse possível cruzar o homem com o gato, melhoraria o homem, mas pioraria o gato”.

Cada vez mais sinto que Twain, que fora meu autor preferido de pré-adolescência, tinha razão. São eles que me mostraram “o pulo-do-gato” ensinando-me a ser mais comedido, falando nos momentos oportunos e comendo e bebendo com moderação. Nunca veremos um gato beber sem sede, comer sem fome e miar sem motivos. Notívagos, se manifestam ronronando ou gritando, quando em plena boemia, namoram até o sol nascer.

São distintos, elegantes descendentes da deusa Bast, uma divindade solar que protegia as grávidas no Antigo Egito. Na mitologia ela era representada por uma mulher com cabeça de gato. Seu culto estava centralizado na cidade de Bubastis, região oriental do Delta do Nilo. Nos templos da época eram criados gatos vistos pelos seguidores da divindade como encarnação dela, sendo tratados com cuidados especiais e com bastante erva-de-gato, claro! Quando esses gatos morriam, eram mumificados e enterrados em espaços destinados especificamente para eles. Entretanto, um cemitério para os humanos, que deixavam o desejo de serem enterrados junto aos animais sagrados, fora construído em um anexo.


Deusa Bast

Heródoto (485?–420 a.C.) historiador e geógrafo grego, escreveu, referindo-se à Bubastis: "Outros templos são maiores e mais luxuosos, mas nenhum é mais agradável aos olhos do que este.”

Depois de tudo isto, as pessoas que não gostam de gatos ou sofrem de gatofobia devem tomar cuidado e rever conceitos, caso contrário, segundo ouvi por aí, vão voltar como ratinhos na próxima encarnação.

Autor: Raul Cânovas

Posts Relacionados

Comentários
Voltar para a página inicial