Kaizuka - Juniperus chinensis ???Torulosa???

Decido por fim escrever sobre ela. Para muitos, de beleza indescritível, quase inefável e delicadamente inebriante, é, a meu modo de ver, um símbolo convencionado de status social.


Algo assim como um ícone tridimensional que nos induz a reconhecer o luxo, a kaizuka tem se transformado em um símbolo convencionado, na tentativa de deixar implícito o refinamento de um estilo paisagístico às vezes um tanto sofisticado e, por isso, afetado e artificioso.

Usada de forma ostensiva, junto à entrada de residências ou mesmo compondo fachadas, é a tentativa de definir, mais do que um estilo de arquitetura paisagística, o prestígio atribuído ao proprietário. A planta carrega, na sua estética, um histórico oriental formidável. Seu crescimento vertical retorcido, apresentando folhagem superposta, originou o apelido de kaizuka, que em japonês significa “amontoado de conchas”, aludindo aos sítios arqueológicos localizados, nesse país, à beira mar. Algo parecido com nossos sambaquis ou concheiros, depósitos construídos pelo homem primitivo com materiais calcáreos que, empilhados, durante séculos, sofreram a ação da interpérie fossilizando-se e petrificando os diferentes detritos. O formato lembra muito o desta conífera, por ser cônico.

Seu uso indiscriminado, nos trópicos, choca por se tratar de uma espécie de clima temperado, identificada com um estilo de jardins e de vida, de uma região onde as pessoas vivenciam tradições e comportamentos muito diferentes dos nossos.

Seu cultivo, extensamente difundido no sul dos Estados Unidos, onde foi introduzida no século XVIII, contagiou, talvez, muita gente que busca belezas extravagantes, exóticas e que, com o passar do tempo, tornam se vulgares.

Que tal preferir a simplicidade? Algo muitas vezes perdido e esquecido quando projetamos um espaço a céu aberto, um lugar que deveria ser bucolicamente pensado, para nosso deleite sincero, sem futilidades, nem ostentações que procurem atrair a admiração dos outros, mas apenas alimentando o amor que sentimos por nós mesmos.

Simplesmente isto...

Autor: Raul Cânovas

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