O louro

  • 13 de julho de 2010
  • Categoria: Crônica

A esposa do Imperador Augusto, Lívia Drusila (55 a.C.- 31 d.C.) estava sentada distraidamente em um banco de mármore, no seu jardim, quando uma águia deixou cair em seu colo uma galinha quase tão branca quanto o alvíssimo carrara que servira de material para o assento. A galinha Leghorn (talvez a primeira da Roma Antiga) carregava, no bico, um ramo de louro com muitos frutinhos. Júpiter a enviara como uma emblemática mensageira de paz e as sementes foram lançadas nas margens do Rio Tibre, perto do “Palatino di Lívia” como era chamada a residência da Imperatriz.
Com o tempo esse espaço se transformou em um bosque de loureiros, calmo e aprazível, aonde os nobres romanos iam em busca da paz.


NA GASTRONOMIA
Mas, é claro, além de sossego e de concórdia, esta arvorezinha é ótima para quem gosta da boa cozinha e não dispensa o bom e tradicional bouquet garni, que leva como ingrediente principal o louro, alem do tomilho e da salsinha. Os três formam um bouquet amarrado por um barbante, ou guardados dentro de um sachê e não deixam, na panela, nenhum vestígio de tempero, soltando apenas o sabor deles.
Por ter como origem o Mediterrâneo é comum na culinária dessa região. As tradicionais lentilhas, as berinjelas e o cordeiro nunca dispensam um “raminho de louro”. Seu sabor e aroma balsâmicos dão um “toque” doce e picante ao mesmo tempo.


NAS TRADIÇÕES
A planta representa desde épocas remotas o triunfo. Os imperadores romanos e os comandantes das legiões eram coroados com ramos de louro. A prática foi herdada dos gregos, que confeccionavam coroas para premiar os atletas e os heróis. O termo “laureado” explica exatamente isto: coroado com louros.


NA MEDICINA
As folhas possuem componentes ativos como: cineol, engenol, azeites essenciais, taninos, etc. Por esse motivo são usadas em infusões para: dispepsias, anorexia, espasmos gastrointestinais, bronquite, asma, meteorismo, enfisema pulmonar, etc. O azeite de louro pode ser utilizado em caso de inflamações nas articulações e até no combate à pediculose.
Mas, por favor, nunca confundam louro (Laurus nobilis) com espirradeira (Nerium oleander), este último é usado exclusivamente no paisagismo, como ornamental e é tóxica.
 

NO PAISAGISMO
Por falar em paisagismo, diria que é uma boa idéia usar loureiros no jardim. Gosta de brisa e de chuvas; do mar bem perto e de muito sol. É cultivado em vasos, sem dificuldades, desde que este possua um bom tamanho. As podas lhe dão um aspecto um pouco mais compacto, diminuindo sua altura, que pode ser mantida em 1,80 a 2,00 m.
O solo deve ser bem drenado, algo arenoso e com um pH de 6,6 à 7,5, requerendo, quase sempre, uma correção com calcário. No verão, gosta de uma boa chuveirada de vez em quando e, no caso de ser atacada pela cochonilha de carapaça, uma pulverização com óleo mineral ou vegetal (1% de óleo, 99% de água) resolve.

Autor: Raul Cânovas

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