Diferente de nós, seres humanos e, do reino animal, as plantas não possuem um sistema nervoso que lhes permitam sofrer dores ou gozar de emoções; no entanto, dependentes de: temperatura, luz solar, umidade, gravidade e também de outros vegetais associados à fauna, poderão usufruir sensações prazerosas ou, no caso de desequilíbrio climático, tormentos que causarão murchamentos e até morte.
Os animais contam com a vantagem de poder andar e emigrar tentando novos espaços, mais pródigos de alimentação e menos rigorosos com a temperatura. Mas o mundo vegetal, quieto e silencioso, precisou resignar-se, ano após ano, com as secas, o frio e o sol quase ausente naquelas regiões mais próximas dos pólos.
Assim, após milhões de anos o mundo vegetal encontrou para cada um de seus membros um pedaço de terra propícia para viver. Porém, com uma freqüência maior do que gostaria, vejo plantar nos jardins espécies totalmente inadequadas a nosso clima: Trachycarpus fortunei aliado a um paisagismo artificial, em plena praia de Mangaratiba/RJ, desperdiçando sua roupagem de fibras que o protegia das estiagens geladas de sua China natal.
Kaizukas abandonadas a sua própria sorte, em espaços sombreados por infinitos prédios em plena Fortaleza - uma cidade cuja temperatura eleva-se, cada vez mais, por causa de seu desenvolvimento irrefreável. Imagine o padecimento da condenada conífera que por sua própria natureza é ávida de sol e de frio.
Imaginou? Pois seja paciente porque as incongruências não acabam aí. Veja o destino do bambú-mossô, prisioneiro, na maioria das vezes, a um vaso arrinconado, em um canto de uma sala. Isto para gramínea é fatal, mais do que fatal, insultante.
E as nossas jabuticabeiras? Desidratadas e raquíticas, dentro de ridículos cachepôs, em terraços altos expostos ao vento e a poeira.
A relação seria enorme e também cansativa, por isso paro por aqui, mas com uma condição, caros amantes da natureza, usem as espécies respeitando o histórico de cada uma delas e, por falar em respeito, não esqueça de reverenciar sua região, seguramente nela irá encontrar um montão de árvores, palmeiras e outras plantas, cheias de virtudes para seus jardins.
Nos próximos dias, serão postados conteúdos sobre os fatores relevantes para a sobrevivência das plantas como:
1. CLIMA E MICROCLIMA: VENTOS, CHUVAS E TEMPERATURA
2. ÁGUA
3. CARACTERÍSTICAS GEOGRÁFICAS DO BRASIL
4. VENTOS
5. CLIMA E VEGETAÇÃO








Marisa comentou dia 30 de junho:
Caro Raul.
Gostaria de saber se o Bambú-Mossô usado em grupo(Ex: 5 md adultas), há uma distância de 2 m da fachada de uma residência pode trazer algum problema para o alicerce desta casa. Me preocupo pela quantidade de brotos que saem contantemente dos Mossôs e por serem taõ agressivos.
Agradeço sua atenção e parabéns pela lindíssima palestra no Simpósio Da UFLA em Lavras - MGm onde nos conhecemos pessoalmente,
Abraço.
Jardim das Ideias comentou dia 09 de julho:
Oi Marisa,
Tudo bem? Então, o bambú-mossô é um Phyllostachys, este gênero é muito numeroso e apreciado na China, não apenas pelo seu uso culinário (os brotos são deliciosos), mas também na decoração, já que fornecem laminados muito bonitos.
As raízes são rizomas que se distanciam da planta original formando novas colônias, por isso todos os anos surgem touceiras jovens, deixando um emaranhado de raízes que lembram um pouco aquelas formadas pelo gramado.
Apesar desse vigor todo, não creio que afetem os alicerces da casa, já que são superficiais. Em tudo caso Marisa, você pode fazer uma orla subterrânea com 80cm de profundidade, cercando as mudas, dessa forma elas não conseguirão estender seus domínios.
Abraços