A Romãnzeira

A romã é ainda pouco cultivada pelos produtores de frutas, mas me chamou atenção como, umas semanas atrás, apareceu nas prateleiras dos supermercados. É que essa fruta está relacionada à prosperidade e a sorte, pelo menos é o que as pessoas acreditam aqui no Brasil, que comem as sementes no final do ano e deixam algumas para serem guardadas, bem escondidinhas, na carteira, junto ao din din.

A tradição judaica nos conta que a romã foi uma das sete frutas pelas quais a terra de Israel foi abençoada e é comum colocar sementes da fruta embaixo do travesseiro, em Rosh Hashaná (Ano Novo Judaico), para que as mitzvot (boas ações e preceitos) se multipliquem como elas. O próprio Profeta Maomé recomendava o consumo da fruta dizendo “Comei a romã que ela purga a mente da inveja e do rancor”. Pois é, no Irã e naquelas terras quentes do Oriente Médio é que essa arvoreta aparece nos quintais com a mesma freqüência que a nossa goiabeira pelos nossos.

Junto com a uva e o figo formam a trilogia das frutíferas mais antigas cultivadas pelo homem. Graças aos mouros foram levadas para o Sul da Espanha e daí, popularizadas em todo o Mediterrâneo. A fruta tem antioxidantes que são úteis na prevenção de doenças cardíacas. Segundo o herbário chinês, o suco da romã aumenta a longevidade e há comprovação científica de que é um antibiótico natural eficaz. O chá feito com as folhas é usado para curar infecções da garganta e diarréias.

No paisagismo a Púnica granatum Var. nana que não passa de um arbustinho com 70 cm de altura é cada vez mais popular com suas flores simples ou dobradas que podem ser vermelhas e até matizadas de branco. A outra forma é a típica com uma altura de mais ou menos 3 ou 4 m.

No Oriente existem dezenas de variedades, como acontece por aqui com a maçã, com a manga ou com a banana. Em Bagdá a hamar, a aswad e a halwa são as mais consumidas, já na Jordânia a preferência recai na salami, seguida da ragawi, da halu, da aswad e da amlai.

Ela gosta de solos úmidos e de bastante calor, principalmente na época de maduração dos frutos. Aqui no nosso país infelizmente sofre com a antracnose que é um fungo que, mesmo combatido, deixa os frutos cobertos com manchas pretas, que muitas vezes chegam a provocar a rachadura das frutas.

A fruta, mesmo em câmaras refrigeradas durante cinco ou seis meses, não detém o seu processo de amadurecimento, inclusive as sementes ficam mais tenras; talvez o lado negativo seja que a casca perde um pouco de brilho, mais nada que comprometa o aspecto da fruta.

A granadina, feita com o suco da fruta, é um xarope pouco conhecido entre nós. Pena, porque é uma delícia, e o fato de não ser alcoólico e interessante, porque desse modo pode ser usado em sobremesas e sorvetes, ou com água gasificada e gelo, como refrigerante.

Autor: Raul Cânovas

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