Há alguns tipos de comportamentos nas pessoas que, se prestarmos a devida atenção, também acharemos, ao menos de modo essencial, nas plantas.

A intolerância, por exemplo, é uma espécie de sentimento muito comum naqueles que encontram alguma dificuldade para se inserir num contexto social, isto é, pessoas inaptas para adaptarem seu modo de vida ao de outros. Esta intransigência pode levar homens e mulheres a um estado de completa solidão e auto-segregação cujo clímax pode levar a ataques de terrível violência.
Traçando uma analogia entre as pessoas e as árvores, eu gostaria de focalizar os eucaliptos. Se alguém parar para pensar acerca dessa árvore verá que existe uma semelhança entre pessoas intolerantes e os eucaliptos: essas árvores não suportam a proximidade de outras plantas. Dificilmente notar-se-á a presença de arbustos, grama ou qualquer outro tipo de vegetal perto deles.
Quando preciso criar um projeto paisagístico em uma área onde já existem eucaliptos, prefiro usar rochas ou outros materiais de pavimentação, porque sei que o convívio com essas árvores é extremamente difícil, mesmo os pássaros evitam pousar nos seus galhos.
Outra característica dessa espécie é a dureza de sua madeira, a qual nos faz pensar em algumas pessoas que, em virtude de sua austeridade e inflexibilidade, são incapazes de rever suas opiniões, tornando-se excessivamente amargas e severas. Estes eucaliptos, devido a sua madeira dura, várias vezes, são derrubadas pelo vento e pelas tempestades, exatamente por não terem aquela adequação necessária à vida diária. Já faz algum tempo que eu tenho observado a convivência de uma palmeira e de um eucalipto que cresceram juntos (por alguma razão que eu desconheço), perto da minha casa, agora eles já estão imensos. O eucalipto, em virtude de sua arrogância, é um pouco maior que a palmeira, mas o que me surpreendeu é que eles parecem combinar. Se por um lado, um está constantemente ocupado em exibir seu poder e grandeza, do outro, é notável a flexibilidade e a maleabilidade da palmeira. Quem sabe, se eles não estão trocando opiniões ou informações acerca da aventura de viver, ou mesmo, para adquirir uma melhor compreensão acerca da convivência humana?
As coincidências não param por ai. Dentro de uma semente de jequitibá, pequenina e frágil como parece, existe a pretensão de uma árvore que se tornará um verdadeiro gigante apenas com a ajuda da água da chuva e um pouco de paciência. Uma árvore, cujos ramos mais altos quase tocam o céu e as raízes penetram profundamente no interior da terra, invencível frente aos ventos e tempestades. Do mesmo modo, quantas vezes não vimos uma criança pequena e indefesa, alguns anos mais tarde, nos surpreendemos com um homem já forte e vigoroso? Essa é a razão, pela qual eu penso que as plantas e as pessoas se parecem tanto. Claro que eu não tenho a pretensão de explicar todas as coisas, especialmente porque, a despeito desses paralelos há algumas que ainda me surpreendem. A rosa, por exemplo, você consegue entender o estranho arranjo de pétalas vermelhas e aveludadas que nos seduzem com o seu perfume, enquanto seus espinhos podem ferir-nos dolorosamente? Se ela nos atrai, pode também nos fazer sangrar.
Bem, eu tenho ainda muitas perguntas igualmente intrigantes, para as quais não tenho respostas claras, e o mais importante do que dar respostas corretas, é fazer as perguntas pertinentes. Dessa maneira, espero ter levantado na mente de meus leitores, questões importantes e ter iluminado o caminho que conduz a descoberta de muitas outras coincidências entre o nosso mundo e o mundo das plantas.








Maura comentou dia 16 de janeiro:
Olá Raul e equipe do jardim!
Intrigante comparação essa do post de hj! Pra pensar mesmo...
Gostaria de um auxílio. Tenho agapanthus africanos plantados no meu jardim e recentemente eles começaram a apresentar folhas ressecadas. Elas começam a amarelar pela ponta e não pela extremidade próxima a rais. Estão plantas em um lugar de sol pleno e solo bem drenado. Recebem rega todas as noites. O que pode ser?!
Além disso, queria saber se é aconselhavel podar o pendão após a queda das pétalas da flor.
Agradeço muito a atenção dispensada!
Um forte abraço,
Maura
Izabel Cristina comentou dia 16 de janeiro:
Olá,Sr.Raul!
Tenho acompanhado suas crônicas,que me são uma leitura bastante agradável.Tenho, no meu quintal, um arbusto que corto sempre, e ele me desafia bravamente,rebrotando.
Quantas pessoas conhecemos que, mesmo ceifadas,insistem em ressurgir renovadas na esperança!
Acho que vou deixar meu arbusto em paz...
Um abraço, e
Até!
Érica Sena/ blog Pensar comentou dia 24 de janeiro:
Oi Raul, td bem?
É de sua autoria este texto??? Maravilhoso!!
Posso postá-lo em meu blog?
Abs,
ÉRICA SENA/ PENSAR ECO