Crônica

Enlil-bani o jardineiro que foi rei

Hoje é um dia especial: o Dia do Jardineiro. E para celebrar esta data tão especial para nós, Raul Cânovas nos conta a bela história de um jardineiro que se tornou rei.

Era jardineiro, mas não um jardineiro qualquer (apesar da estima que tenho por qualquer um que cuide de jardins). Era o jardineiro-mor do poderoso Erra-Imitti, majestade da mítica Babilônia, um reino que se localizava a 80 km ao sul da atual Bagdá, capital do Iraque.
Tudo isto muito antes da Era Cristã e muito antes, inclusive, de Nabucodonosor mandar construir os encantadores jardins, que se transformariam em uma das sete maravilhas do mundo.

Esse rei, sempre no início de todo ano, escolhia um súdito que ocupava o trono durante um dia, apenas um dia, e esta escolha recaía em um vassalo, um súdito de grande prestígio, mesmo porque o soberano da Babilônia não iria ceder sua coroa a qualquer um, apesar de ser por apenas vinte quatro horas. Semanas antes da eleição o reino ficava em um alvoroço geral e a corte que, evidentemente tinha um maior contato com o todo-poderoso Erra-Imitti, mais ainda, porque de algum modo pretendia influenciar colocando suas preferências pessoais (é, não é de agora que isto acontece).

O mais bizarro de tudo isto é que o escolhido, depois desse dia de glória quando era reverenciado por todos como o homem mais poderoso do reino, era sacrificado aos deuses, na frente da multidão, numa cerimônia onde os sacerdotes não economizavam pompas e, vejam vocês, mesmo assim o pessoal da época considerava esta honraria como um verdadeiro presente divino; não sei ao certo se pelo fato da imolação, no altar dedicado a Gilgamesh, ou por pura megalomania. Ao final das contas não são poucos os que levam suas manias de grandeza as últimas conseqüências, mesmo nos dias atuais.

Mas, retomando a estória, o homem escolhido pelo rei, nesse ano, foi Enlil-Bani, um dedicado jardineiro que até esse momento fazia as alegrias de todos, cultivando as plantas mais exóticas, vindas das terras mais estranhas.

Ate hoje não se sabe o que motivou o grande monarca na sua escolha. Sabe-se é que ele morreu repentinamente, precisamente nesse dia, no dia em que era substituído pelo seu jardineiro, que permaneceria no trono durante vinte quatro anos, ate sua morte. Irônico para quem ia reinar vinte quatro horas; é como se, magicamente, transformara horas em anos.
Esta é a historia do jardineiro que se transformou em rei, e parece ser que foi um bom rei. História verídica, acontecida há quase quarenta séculos e que lembro agora para homenagear todos os jardineiros (e jardinistas, porque não?) no data em que se celebra o dia de todos eles.

Quem sabe possamos ainda sonhar com um bom jardineiro a nos governar. Porque não?

15 de dezembro de 2009

3 comentários

Carregando...
  • jean comentou dia 15 de dezembro:

    bela historia, até Lula foi presidente pq não um jardineiro

  • Letizia comentou dia 16 de dezembro:

    Como eu acredito que nada acontece por acaso,a escolha do rei,que era tendenciosa,foi motivada tbm pelo prazer da morte do jardineiro que aconteceria em 24 horas,mas... Surpresa!! Não sei se por acaso ou pela magia das flores que não poderiam viver sem o jardineiro, o rei morreu...e as flores viveram felizes para sempre(ou pelo menos por 24 anos né??)rsrsrsrsrs
    Obrigada por dividir comigo essa linda hitória.Adorei!!!!!!!!!!!! Desculpe pela minha interpretação mas é que gosto de imaginar as flores se mobilizando, recorrendo a Duendes e porçõe mágicas para tranformar o jardineiro no Rei.

  • Elena sem H comentou dia 02 de janeiro:

    :-) Obrigada por compartilhar :-)